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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Importância da Expressão Corporal em Arteterapia

A primeira experiência de comunicação do ser humano é sensorial. Ainda no ventre materno, recebemos estímulos que desencadeiam em nós uma série de reações. Ao nascimento, o primeiro contato com o mundo se dá pela pele, pelo tato. Nesse período, criamos vínculos, experimentamos sensações, preparamo-nos para nos tornarmos seres independentes no futuro, capazes de desenvolver formas cada vez mais especializadas de comunicação. Porém, a linguagem corporal continua sendo de fundamental importância para uma vida sadia; não há como desfazer os laços que unem o homem a esta forma primeira de comunicação. Em arteterapia, as experiências sensoriais e a linguagem corporal são duas formas de expressar o simbólico.
O homem é um ser social, um ser de relações que, desde a Pré-História, procurou desenvolver meios de comunicar-se para atender às suas necessidades de sobrevivência. Ao longo do tempo, a comunicação do homem primitivo, que antes era feita por meio de gestos e dos ritmos da natureza, aperfeiçoou-se, configurando-se em linguagens.
Nesse sentido, a linguagem, produto da inteligência e da subjetividade humana, faz-se presente para representar simbolicamente o ausente, por meio de respostas imediatas às estimulações perceptivas, ou de representações convencionais e arbitrárias.
Podemos afirmar que a prática simbolizadora é expressão da subjetividade e da consciência humana. Símbolos são ferramentas da mente, que usamos desde os primórdios, nem sempre de maneira convencional.
De acordo com SEVERINO (1992), a consciência subjetiva é um fator antropológico, dado o seu poder de intervenção na atividade produtiva e social dos homens. Possui finalidades pragmáticas, no sentido de estar ligada aos mecanismos de sobrevivência, mas também está associada à representação simbólica de todos os aspectos da realidade.
A experiência subjetiva do homem é uma sensibilidade intelectual e racional, mas também valorativa, ética, estética, religiosa etc. Toda produção decorrente dessa atividade subjetiva se expressa objetivamente por meio de bens culturais, de natureza simbólica, como a linguagem – sistema simbólico de comunicação – e a arte – expressão objetivada da sensibilidade estética.
Assim, a prática simbolizadora está em trazer “para fora” o que se sente, com a utilização de recursos expressivos, de símbolos que permitem uma comunicação de níveis mais profundos com a consciência.
 A Arteterapia surge, então, para utilizar a força da experiência criadora como forma de autoconhecimento e de transformação do ser humano. Por meio da leitura dos produtos da expressividade do indivíduo, busca auxiliá-lo a encontrar o equilíbrio entre o fazer, o agir e o pensar.
Desse modo, a criatividade ocupa posição central entre a arte e o processo terapêutico, pois o fazer criativo fornece a base para a leitura do que pode ser transformado. O fazer criativo vai além do cotidiano e do social; passa para o transpessoal, o universal e o espiritual.

O fazer criativo sempre estará carregado da subjetividade de quem o exerce, e a expressará em plenitude através dos diversos símbolos empregados nas imagens que surjam. Desta forma, através de uma observação mais cuidadosa, possibilitada pela relação terapêutica, as construções e criações reveladas constituem-se em meios de autoconhecimento que, bem compreendidos, podem auxiliar no desenvolvimento do ser (COUTINHO, 2005, p.44).

De acordo com COUTINHO (Op. cit.), a criação artística, de fato, ajuda o indivíduo a reforçar seus aspectos saudáveis. Abre as portas da sensibilidade, possibilitando a construção de meios para a transformação pessoal.
Mas antes de partir para a criação artística, é necessário que o arteterapeuta favoreça ao indivíduo um contato consigo para poder externalizar o sentimento que proporcionará a transformação. A expressividade espontânea, antes das artes, está na linguagem corporal. O corpo também é um canal de comunicação entre consciente e inconsciente, tornando-se fundamental o reconhecimento da consciência corporal, a partir da qual se obtém maior domínio do corpo e do espaço e, por conseguinte, maior segurança.
Para WEIL & TOMPAKOW (1986), o homem é programado para perceber e discernir, mas o hábito de atentar para as ferramentas-símbolo (palavras) afastou-o da percepção consciente do “aqui e agora”.
Sintomas físicos e emocionais são um chamado do inconsciente, e a ausência de um contato mais íntimo consigo pode levar o indivíduo ao adoecimento. O corpo fala, e é preciso reconhecer essa linguagem.
“Pela linguagem do corpo, você diz muitas coisas aos outros. E eles têm muita coisa a dizer para você. Também nosso corpo é antes de tudo um centro de informações para nós mesmos. É uma linguagem que não mente...” (WEIL & TOMPAKOV, 1986, p.7).
A linguagem do corpo expressa nossos pensamentos, nossas emoções e nossas reações instintivas. Podemos observar o estado emocional de uma pessoa lendo a sua expressão corporal. Trata-se de perceber em vez de apenas olhar.
WEIL & TOMPAKOW (Op. cit.) afirmam que um simples movimento de cruzar e descruzar os braços em determinada situação pode ser um gesto inconsciente, relacionado com o que se passa no íntimo das pessoas. Nossa linguagem corporal anseia por afirmar o nosso “eu”. O homem não consegue esconder sua linguagem inconsciente, e percebê-la é de grande importância para que as pessoas se compreendam melhor e se relacionem melhor.
Os gestos também fazem parte da expressão artística, o que se pode observar com mais nitidez nas crianças. Seus movimentos, ao produzir os primeiros rabiscos, vêm carregados de conteúdos e de significações simbólicas.

Quando desenha no papel, objeto que existe fora dela, a criança interage com ele, com o lápis, a cor, o chão, a parede, ligando a sua ação com os mais diversos movimentos corporais: exclama, canta, balança-se ou até manifesta o silêncio. A criança promove uma comunhão entre ela e o meio; entre ela e o cosmos. A propriedade que a criança estabelece com os seres, com os objetos, com as situações, depende da intensidade afetiva, do tônus energético que ela mantém como qualidade de relação com o mundo.
Tal como o instrumento é o prolongamento da mão, o mundo é o prolongamento do corpo. A relação física sensorial que a criança estabelece com o desenho possibilita a experiência de novas realidades (DERDYK, 2003, p.60).

Ao longo do tempo, têm sido desenvolvidos métodos e técnicas que conseguem mudar muitos de nossos estados emocionais, e até atingir a estrutura da nossa personalidade: a Arteterapia é uma delas.
BAPTISTA (2003), no entanto, afirma que expressão corporal é pouco utilizada pelos arteterapeutas em detrimento de outras formas expressivas, porém é um dos canais mais expressivos da Arteterapia, abrangendo uma infinidade de técnicas e de propostas, como o toque, a massagem e o movimento, por exemplo.
Para a autora, o trabalho corporal pode ser o fio condutor do processo terapêutico, uma vez que corpo e mente estão sempre ligados; processos psíquicos e biológicos se processam no corpo..
As primeiras vivências do ser humano estão relacionadas aos aspectos sensoriais, ficando registradas em nossa memória corporal. A pele é o maior órgão do corpo humano, e também possui papel importante no desenvolvimento do homem, pois o tato é o primeiro sentido a se desenvolver.
A pele, portanto, é o primeiro veículo de comunicação do ser com o mundo, proporcionando acesso às demais linguagens.
“(...) no tempo dos nossos ancestrais, a ‘consciência’ humana formou-se a partir do relacionamento sensorial da nossa pele com o mundo exterior” (JUNG, apud BAPTISTA, 2003).
A consciência corporal facilita a assimilação do mundo interior e exterior. “A expressão corporal fala para além das palavras, trazendo uma ponte direta para o universo do imaginário e simbólico. É do movimento espontâneo que nasce o arsenal simbólico de cada um” (BATISTA, 2003).
O trabalho corporal em Arteterapia, assim como a observação da forma dos movimentos naturais, permite a transformação dos símbolos trazidos do gesto para o concreto – expressão artística.
Embora o ser humano esteja dominando cada vez mais as novas tecnologias, e desenvolvendo meios de comunicação mais complexos e eficazes, não há como despojar-se do homem primitivo e seu sistema de comunicação. Embora muitas vezes procuremos nos apoiar em linguagens e gestos convencionais, nosso corpo é reflexo daquilo que somos e das experiências que trazemos.
Tornar-se ciente do corpo e das suas operações equivale a tornar-se ciente da alma, fazendo que o sujeito mergulhe profundamente em si próprio, de onde emergem, por meio da Arteterapia, tanto as impressões deixadas no em seu corpo, quanto os produtos concretos da subjetividade (gestual, figurativo, sonoro etc.).



Referências bibliográficas

ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual. São Paulo: Pioneira, 1998.

ARCURI, Irene Gaeta. Arteterapia de corpo & alma. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

BAPTISTA, Ana Luísa. “Expressão Corporal na Prática da Arteterapia”. Disponível em: http://www.cebrafapo.com.br/artigo-expressao-corporal.htm. Acesso em 31 mar. 2008.

COUTINHO, Vanessa. Arteterapia com crianças. Rio de Janeiro: WAK, 2005.

DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho: o desenvolvimento do grafismo infantil. 3. ed. São Paulo: Scipione, 2003.

DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

SANTAELLA, Lucia. Matrizes da linguagem e pensamento. São Paulo: Iluminuras, 2001.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Filosofia. São Paulo: Cortez, 1992.


URBEN, Maria da Glória Medeiros. “A dinâmica da expressividade e de trabalhos dirigidos no contexto artístico-terapêutico”. In: Arte-Terapia: Reflexões. São Paulo: Sedes Sapientiae, 2004.


WEIL, Pierre; TOMPAKOV, Roland. O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. 38. ed. Petrópolis: Vozes, 1986.


Autora:
Juliana de Cássia Ribeiro - Possui graduação e licenciatura plena em Letras - Português/Inglês e especialização em Educação a Distância e Arteterapia. Tem experiência na área de Letras, Educação de Jovens e Adultos, Educação Profissional e Tecnologia Educacional, com ênfase em preparação e revisão de textos, produção de materiais didático-pedagógicos e avaliações, design instrucional, tutoria em cursos on-line e formação de educadores.

domingo, 16 de junho de 2013

Técnicas, Atividades e Dicas em Arteterapia




 Dicas para aplicar a técnica  de pintura em relevo com Creme Dental....
  • Primeiro coloque o creme dental, depois misture o guache na própria tela e deixe que os alunos livremente pintem com os dedinhos.
  • Deixe que as crianças misturem a tinta com o creme dental e pintem em folha A4 com  palitos de picolé
  • Disponibilizar, creme dental, anilina e cola e deixar que as crianças criem desenhos sobre diversos temas.

Algumas dicas sobre os materiais

Descobrindo novos instrumentos para pintura

Na caixa de ferramentas procure objetos legais para usar em pintura, tais como: 
  • acabamentos de madeira
  • borrachas de vedação
  • cabos com textura
  • colher de pedreiro chanfrada
  • colher de pedreiro fina
  • escovas de aplicar e alisar papel de parede
  • esponja de vedação autoadesiva
  • molas
  • painéis de treliça
  • pisos de vinil
  • potes de medida

Alguns desses materiais serão bons para esfregar, fazendo padrões e texturas enquanto outros serão usados como pincéis. Outros servirão para construir gravuras.
No momento da pintura abra um papel de qualquer tipo e coloque a tinta guache em recipientes rasos e próximos ao papel. Mantenha junto um balde ou bacia com água limpa.
Solte sua criatividade e experimente novas técnicas, você vai se surpreender!

Técnicas de pintura:

PINTURA COM ASSOPRO:

Colocar uma pequena porção de tinta no papel depois o aluno assopra um canudinho conduzindo esta tinta para onde desejar, aplicar outras cores desejadas.


PINTURA ESCORRIDA:

Colocar várias porções de tinta na sulfite e depois ir virando o papel em várias posições para tinta escorrer pela superfície. 


PINTURA COM ESPUMA:

Trocar o pincel por um pedaço de espuma, o aluno pode fazer vários movimentos, arrastar a espuma, dando batidinhas variando a quantidade de tinta que pegar.


CORES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS:

Nas atividades acima o aluno pode utilizar as cores primárias para formar as secundárias.


Primárias 

AMARELOVERMELHOAZUL


Secundárias
 

AMARELOVERMELHO = LARANJA 

AMARELO+AZULVERDE 

VERMELHO+AZULROXO

Fonte:http://gavetinhadeatividades.blogspot.com.br


Pintura com palito de picolé:

Como fazer: Pegue uma folha colorida, cubra-a com guache de uma cor diferente  e depois faça um belo desenho com o palito de picolé. Você verá que a cor do papel aparecerá onde você passou o palito de picolé.


Pintura esponjada:
 

Como fazer: Recorte uma esponja em pedaços, do tamanho que desejar, umedeça na tinta guache e pressione sobre o papel. Repita a atividade até formar a pintura que deseja.Dica: Se usar várias cores de tinta é preciso separar um pedaço de esponja para cada cor, para não misturar.


Pintura secreta:
 

Como fazer: Desenhe com giz de cera branco ou vela na folha branca e depois passe tinta guache com uma cor forte por cima. O desenho secreto aparecerá na pintura.


Pintura com carimbos de legumes:

Como fazer: Legumes como batatas, cenouras e beterrabas também podem ser instrumentos de arte. Corte-os na forma que quiser (carinha feliz, estrela, coração e etc), mergulhe na tinta e carimbe as folhas.


Pintura com galhinho de árvore:
  

Como fazer: Faça uma tinta rala, com guache e água, em seguida molhe um galho pequeno de árvore e respingue em cima da folha de papel.


Pintura com bolinha de gude:
 

Como fazer: Pegue uma forma de bolo retangular, coloque uma folha dentro,  pingue tintas coloridas, coloque bolinhas de gudes por cima e mexa a forma devagar de forma que as bolinhas se movam sobre a tinta. Depois que pintar a folha, retire-a da forma, deixe-a e secar e exponha sua linda arte.


Pintura com garfo:
 

Como fazer: Passe tinta guache em uma folha  e depois passe as pontas do garfo de leve sobre a pintura e veja como ficará.


Pintura com fita crepe:

Como fazer: Cole pedaços de fita crepe espalhados na folha, pinte com guache nos espaços em que sobraram da folha, deixe secar e depois retire as fitas do papel.


Pintura com cotonete:
 

Como fazer: Utilize cotonetes ao invés de pincéis. Molhe a ponta do cotonete na tinta e divirta-se.


Pintura com papelão:

Como fazer: Corte um pequeno pedaço de papelão grosso e verá que ele é formado por camadas. Na ponta do papelão, rasgue uma camada de forma que a camada ondulada fique exposta, pois é com ela que deverá pintar. A camada ondulada do papelão dá um efeito diferente na pintura.Dica: Se você pintar fazendo ondas no papel a pintura ficará muito legal. Você pode alternar as ondas em tons de bege, azul escuro e claro para ilustrar o fundo do mar. Depois pegue a tinta verde e faça ondas verticais imitando algas marinhas, e finalize colando peixinhos.

 
Pintura secreta:
 

Como fazer: Desenhe com giz de cera branco ou vela na folha branca e depois passe tinta guache com uma cor forte por cima. O desenho secreto aparecerá na pintura.


Pintura escorrida: 

Como fazer: Utilize uma seringa para espirrar tinta sobre a folha. Você verá que obterá diferentes resultados se apertar a seringa com rapidez ou devagar. 


Técnica do gotejamento: Sobre o artista e sua técnica:Paul Jackson Pollock (1912 - 956) foi um pintor americano muito famoso e ousado para sua época. Suas obras ficaram famosas não só pela originalidade e beleza, mas também pelas técnicas de pinturas desenvolvidas pelo artista . Ao invés de pincéis e cavaletes, Pollock utilizava grandes telas sobre o chão, pintava sobre várias dimensões utilizando movimentos corporais e instrumentos inusitados. A técnica mais conhecida do artista é a do gotejamento.Faça você: Você também pode desenvolver a técnica em casa ou na escola, e só vai precisar de: uma tela ou papel grande, tintas de várias cores e galhinhos de árvore para fazer o gotejamento da tinta.Na sala de aula a obra pode ser coletiva, mas ao invés de galhinhos utilize  potes com um furinho em um dos lados e coloque uma música calma para as crianças entrarem no clima artístico. O resultado é ótimo. Fonte: http://www.educasempre.com


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Papéis  
A diferença entre os papéis é perceptível pelo toque e determina os materiais a serem utilizados, se secos ou úmidos. Podemos classificar os papéis em dois tipos básicos e podem se diferenciar quanto a espessura e o peso - são eles:
  • porosos - são mais indicados para receber materiais com maior quantidade de água devido sua capacidade de absorver melhor o líquido:
     1. Papel Canson - apresenta grande resistência e serve para todos os tipos de tinta, nanquim, lápis de cor e pastéis.  Os mais porosos são mais adequados à pintura.
     2. Papel Camurça - mais utilizado para forração e confecção de detalhes.
     3. Papel Crepom - bastante frágil, pode ser rasgado, cortado, amassado, produzindo efeitos interessantes. Sua tinta sai com facilidade.
     4. Papel Kraft - mais poroso que o papel pardo, pode ser pintado com tinta ou desenhado com lápis de cor e pastéis.
  • lisos - 
     1. Papel Sulfite - muito utilizado para escrita
  2. Papel Cartolina - apresenta boa resistência e maleabilidade. Adequada para construções tridimensionais e é utilizada para emoldurar desenhos que serão expostos.
    3. Papel Cartão - mais espesso que a cartolina, também é utilizado para emoldurar desenhos e confeccionar caixas e outros objetos.
  4. Papel Celofane - bastante frágil, rasga-se com facilidade. Indicado para fazer detalhes coloridos em fantoches para teatro de sombras e outras atividades como vitral.
  5. Papel Euchê - papel de revista, é utilizado na confecção de cestarias e bijuterias.
  6. Papel de Presente - utilizado em colagens e dobraduras.
    7. Papel de Seda - papel bem fino, produz interessantes texturas quando amassado e colado em alguma superfície. Também pode ser usado para desenhar com água sanitária, que serve para descolori-lo.
    8. Papel Glacê - muito utilizado para dobradura.
   9. Papel manteiga - devido sua transparência, serve para "decalcar " um desenho de uma superfície para outra,modificar ou acrescentar detalhes sem mexer na imagem-base.

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O Balão Furado

Material:
  • papel de embrulho
  • balões
  • aquarelas líquidas ou guache fina
  • água
  • agulha ou alfinete
  • fita adesiva (opcional)
Desenvolvimento:
  1. Coloque folhas grandes de papel sobre o chão, antes de começar.
  2. Ponha uma grande quantidade de tinta diretamente dentro da balão. Diversas colheres de sopa serão suficientes. A seguir, complete o balão com água e feche-o com um nó. Sacuda um pouco para misturar a água e a tinta.
  3. Faça vários balões com diferentes cores de tinta.
  4. Com cuidado, use o alfinete para fazer um furo no balão. Se for difícil, cole um pedaço de fita adesiva no balão antes de furá-lo. Faça o mesmo com os outros balões. 
  5. Agora, esguiche tinta no papel, diretamente dos balões. Crie desenhos, misturando as cores como desejar.
  6. Deixe a tinta secar no local.
Variações:
  • Faça mais de um furo no balão e seja rápido.
  • Esguiche a tinta de um lugar alto, como uma cadeira, uma escada ou de cima de uma mesa.
  • Cole papel em uma parede, cubra a área do chão onde irá pingar e esguiche a tinta na parede.
  • Borre os desenhos feitos com esguicho de tinta, usando uma espátula ou um retângulo de papelão, misturando as cores e os desenhos do papel.
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Reprodução de paisagem natural 
(desenho ao ar livre se possível)

Esta técnica pode ser realizada em atendimento individual ou com pequenos grupos.

Objetivos:
- promover um relaxamento;
- promover a imaginação e criatividade;
- valorizar a individualidade;
- diminuir a ansiedade;
- estimular a autoexpressão;
- promover a autoestima;

Materiais:
- lápis grafite, de cor (aquarelável ou não)
- caneta hidrocor ou esferográfica
- giz e borracha;

Desenvolvimento:
- Escolher um lugar com vários elementos visuais para realizar os desenhos;
- Conversar sobre o tipo de desenho que será realizado e fazer a escolha do recorte. Nesse tipo de desenho se faz necessário selecionar algumas áreas de interesse para registrar.
- Iniciar o desenho procurando reproduzir o máximo de elementos da paisagem. Quando a atividade for me grupo deve-se estabelecer um tempo máximo para sua realização.
- Observar e analisar o desenho: semelhanças e diferenças entre o desenho e a cena de origem, no caso do grupo comparar entre os desenhos também.

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Bonecos (marionetes) e encenação.

A representação teatral ocupa um papel muito importante, é uma maneira de cerrar um processo de elaboração simbólica. As marionetes apresentam um espaço rico que desperta o interesse por tudo aquilo que pode ser produzido ao longo de todo percurso: a criação plástica dos bonecos; a produção de acessórios, decoração e cenários; a produção escrita e a representação da palavra;as relações grupais e o movimento corporal.
As marionetes podem ser do tipo:
* plana - articulada ou não, furada ou não;
* fantoches - de luva cujas cabeças podem ser de diversos materiais;
* de vara - as cabeças também podem ser confeccionadas com diferentes materiais;
* habitável - aquela que é manipulada por um ou mais marionetistas.
(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. PortoAlegre:ArtesMédicas,1996.)Materialidade e Imaginação Criativa

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Técnica: Vela e formas

Materiais:

  • Vela
  • Sulfite
  • Fogo
  • Tintas e pincéis

Aplicação:

1. Promover uma sensibilização colocando uma música de fundo e propor que se imaginem a chama de uma vela e realizem os seus movimentos com o corpo.
2. Entregar o sulfite branco e ascender a vela. Pode-se realizar esta etapa de duas maneiras diferentes: passar o papel sobre a chama da vela com cuidado para não deixar queimá-lo, apenas manchar sem ver o efeito que está fazendo e a outra maneira é esticar e prender o papel numa posição em que ele fique acima dos olhos e manchá-lo passando a vela por baixo, observando e dirigindo os efeitos das manchas.
3. Depois de cobrir ao máximo os espaços em branco do papel, solicita-se que o paciente observe com atenção e procure formas e imagens que ele possa perceber.
4. Por último o paciente cobre com as tintas as figuras que ele percebeu nas manchas do papel, fazendo-as surgirem, tornando-as visíveis a todos.
5. Refletir sobre a atividade perguntando como foi para ele realizá-la, como se sentiu fazendo, em que situações da vida se pode vivenciar situações semelhantes a da atividade.

Através desta técnica podem-se trabalhar questões ligadas à frustração, perseverança, controle da força, da ansiedade, do medo, a percepção de que no meio de tantas situações negativas podem-se encontrar possibilidades, portas e saídas que promovam bem-estar.
No ato de encostar a vela no papel, para se obter o efeito das manchas, se faz necessário um controle da mão ao manusear o papel ou a vela. Se aproximar muito o papel da vela ela pode apagar e se não aproximar o suficiente pode não ficar manchado ou as manchas ficarem muito suaves. Este controle deve ser da força e tensão da mão e da velocidade dos movimentos.
A sensibilização que antecede a aplicação da técnica pode ser também a exploração das qualidades do papel. Depois que o papel recebe o calor do fogo fica mais seco, se transforma.

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Estamos procurando formar uma coletânea de dicas, sugestões, técnicas e tudo que possa enriquecer as intervenções da Arteterapia e da Psicopedagogia. Atividades que integram as duas áreas de conhecimento numa proposta que beneficie o paciente ou aluno que está em processo terapêutico. 




Tinta Caseira

Bata no liquidificador, com água, folhas ou legumes como beterraba e a cenoura. Coe e esprema o líquido de cada um num pano. Guarde as tintas em vidros e tampe bem.
Esta tinta deve ser usada sobre papéis grossos, utilizando-se de vários tipos de pincéis, esponjas, chumaço de algodão preso num palito ou num lápis,frascos de desodorante vazios (tipo spray) que cheios de tinta servirão para espirrar no papel preso numa parede ou num cavalete.

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Refazendo o giz de cera

Junte pedacinho de giz que não se quer aproveitar, coloque os giz de cera numa assadeira e leve ao forno brando até derreter. Quando estiver todo derretido espere esfriar e desenforme.
Corte e recorte da forma que preferir, podendo utilizar forminhas de fazer biscoitos ou silicone.



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Abordagem Terapêutica da História Bíblica de José no Egito - Psicopedagógica e Arteterapêutica



                


Na história bíblica de José no Egito encontra-se a questão da perda, focada primeiramente na morte da mãe e depois na separação do pai e irmãos ao José ser vendido para o Egito; encontra-se a rivalidade entre os irmãos e a angústia da castração em diversos momentos terminando com o reencontro vitorioso e feliz da família após longos anos de solidão sem qualquer informação a respeito de seus entes queridos.
Conforme a história judaica, José tinha onze irmãos, era o filho mais velho da esposa amada e tinha a beleza de sua mãe Raquel. Era o filho favorito de Jacó que lhe dedicou bastante tempo ensinando tudo o que havia aprendido de seu pai, avô de José, e nas academias de Shem e Ever.
Segundo Wondracek (2003) após a morte de Raquel no parto de Benjamim, Jacó assumiu a função paterna e materna e isso criou-lhe dificuldades de  tirar o filho da posição fálica.
De acordo com a cultura judaica, ao pai cabe o papel, a função de manter a linhagem da família; ele é a autoridade máxima e a mãe tem a função de procriar e cuidar dos filhos. Quando uma mulher era incapaz de gerar um filho, trazia vergonha sobre si, e no caso de Raquel era uma tortura ver a irmã e as servas tornando-se mães de filhos do esposo tão amado. Conforme Wondracek (2003) com o nascimento de José ele retira a mãe da vergonha de ser estéril e através do nascimento de mais um filho ela perde a vida.
Como demonstração de sua condição de filho predileto de seu pai, José ganha de presente uma túnica de várias cores e longa, característica das roupas de nobres e chefes tribais, fortalecendo o narcisismo existente nele. José sonha que é reverenciado por sua família e choca até mesmo a seu pai, mas não consegue interpretá-los.
Wondracek (2003) ao citar os sonhos diz que “seu psiquismo está estruturado, é capaz de produzir formações do inconsciente”. ... “considerando seus sonhos apenas no aspecto psicológico, pode-se dizer que eles expressam a realização dos desejos de todo ser humano na etapa do narcisismo – ser o falo, ser o todo poderoso.”
Cumprindo uma ordem do pai, José sai ao encontro de seus irmãos que cuidavam do rebanho no campo. Ao vê-lo, desejam matá-lo, mas sob a proteção do irmão mais velho, José acaba sendo jogado no poço onde fica solitário.
Pode-se verificar aqui a questão da rivalidade fraterna e o autor Bettelheim (1980) aponta que esta rivalidade está relacionada diretamente com o sentimento que a criança tem pelos pais. Quando um filho é privilegiado por receber uma atenção especial dos pais, o outro filho pode sentir-se menosprezado e rejeitado. O que gera a rivalidade entre os irmãos é o temor de não receber o amor e a consideração dos pais mediante a comparação existente entre os filhos. Segundo ele, isso pode ser observado nas histórias “através do fato de que pouco conta se os irmãos realmente possuem maior capacidade”.( op.cit..279)

A estória bíblica de José diz que o comportamento destrutivo de seus irmãos se deveu a ciúmes do afeto que o pai lhe dedicava. À diferença de Borralheira, os pais de José não partilhavam das humilhações que faziam a ele e, ao contrário, preferiam-no aos outros filhos. Mas José, como Borralheira, é transformado em escravo e, como a menina, escapa milagrosamente e termina superando os irmãos. (op.cit.279)

O poço representa a angústia e a luta enfrentada diariamente e ao entrar nele pode sair renovado, com experiências novas e mais encorajado para os novos obstáculos.
Para Wondracek ( 2003 *) os irmãos exerceram “a função paterna do corte”, uma castração simbólica, ao retirarem a túnica dada pelo pai, jogarem José no poço e o venderem como escravo para o Egito.
Para o povo judeu o Egito lembra a escravidão e a autora o relaciona com algo “traumático”, com uma “escravidão interna”. Para ela houve um “colapso narcisista” quando passou “de príncipe a escravo”.
O Egito representou para José uma escola, onde ele enfrentaria o sofrimento, a angústia, a castração e os conflitos constantes para sair-se vencedor, como um ensinante-aprendente.

Bettelheim (1980, p. 241) diz que:
Quando a posição da criança dentro da família torna-se problemática para ela ou para os pais, ela começa o processo de luta para escapar da existência triádica. Com isso, penetra no caminho desesperadamente solitário de buscar-se a si mesmo, uma luta na qual os outros servem principalmente de elementos que facilitam ou impedem este processo. Em alguns contos de fada o herói tem de procurar, viajar, e sofrer vários anos de existência solitária antes de estar preparado para encontrar, salvar e reunir-se a outra pessoa numa relação que dá significado permanente às duas vidas.

De acordo com a história judaica, José tinha dezessete anos quando foi vendido para Potifar, principal funcionário da guarda do rei, atraído por sua beleza, sua sabedoria e sua fina educação.
White (1993, p.212) diz que durante algum tempo ele entregou-se a “uma dor e pesar incontidos. Mas, na providência de Deus, mesmo esta experiência seria uma benção para ele. Aprendeu em poucas horas o que de outra maneira anos lhe poderiam ter ensinado.”
“ José acreditava que o Deus de seus pais seria o seu Deus.”( op.cit.214)
A autora Wondracek (2003) cita que José não permaneceu preso no tempo, nem se sentiu totalmente desamparado. “Deus, como um pai amoroso, que impede a posição fálica mas abre uma outra via, como o pai do 3º tempo. Um pai simbólico, não mais terrível, que acompanha a restauração depois do traumático.”
Por causa de seus talentos incomuns logo foi promovido por Potifar. Renovado em seu amor-próprio pela certeza da proteção do Deus eterno, esforçava-se em fazer tudo bem feito e por isso tudo que tocava prosperava. Não se deixou influenciar pelos aspectos negativos da vida egípcia. A beleza e simpatia do jovem rapaz chamou a atenção da severa esposa de Potifar que tentou seduzi-lo. Por manter-se honesto, fiel e firme em seus princípios foi acusado injustamente e colocado na prisão.
            A prisão também pode representar a angústia, o sofrimento, a luta do dia-a-dia.
Segundo a história judaica, da mesma forma como se comportou na casa de Potifar e prosperou, assim aconteceu na prisão.
Wondracek (2003) cita que

....novamente se encarrega dos negócios do outro, situando-se como filho que serve ao pai, e se torna depositário da sua total confiança. Todas às vezes, José galga os postos até ser o “imediatamente abaixo” da autoridade máxima. Não será uma procura de repetir a posição que ocupara junto ao coração do pai?

Na prisão começa a ficar conhecido por interpretar sonhos através do qual consegue a liberdade. Wondracek (2003) faz uma metáfora ao dizer “que entender nossos sonhos nos liberta da prisão que a censura impôs aos nossos desejos conscientes.”
Os sonhos foram para José um alimento vitalício. Quando pais chegam à clinica psicopedagógica levam sonhos destruídos e filhos encarcerados ao sintoma do não aprender. Quando o psicopedagogo resgata a história de cada paciente se defronta com as angústias, castrações, sofrimentos, conflitos e incertezas quanto às decisões a serem tomadas. Representa também para o paciente, aquilo que José representou para os servos do rei e para o próprio rei Faraó, previsões de tempos bons e maus.
Ao interpretar os sonhos do Faraó, José se recusa, de acordo com WONDRACEK (2003), a ocupar o lugar do sujeito-suposto-saber quando diz que a interpretação não vem dele e sim de um Pai maior que ele.
A história conta que a interpretação dos sonhos do rei mostrando que haveria um período de fartura e outro de fome intensa eleva José a um autoposto no governo, tornando-se o homem mais importante depois do rei, responsável por organizar e fazer provisões durante a fartura para o período de fome.
José, agora como trinta anos de idade, é então vestido com vestes reais, com uma túnica especial, com jóias de ouro e com um anel contendo o sinete real. Para Wondracek (2003) a história familiar se repete com a diferença de que agora recebe a filha do rei como esposa – “a interdição paterna fecha o lado do retorno para a mãe (passado), mas abre para o futuro.”
O período dos anos de “vacas gordas”, para a autora, foram vividos por José durante sua infância, na prosperidade na casa de Potifar e agora como vice-rei do Egito. Para ela, nesta época, não só a semente da terra produziu, mas também a de José ao armazenar alimento que o retira da privação emocional.
Ao citar Freud (1921), ela menciona que alguns acontecimentos psíquicos não são elaborados no momento em que ocorrem por uma incapacidade do psiquismo de dar conta de fazê-lo naquele momento. A compreensão só ocorre num outro momento quando algo liga psiquicamente o traumático e o fixa dentro do psiquismo.
Segundo o relato histórico, José construiu imensos celeiros onde armazenou as provisões de alimentos. Ao citar S. Bleichmr (1994), a autora coloca que a construção dos celeiros representa construir paredes que sirvam de tampão, obturação, para que o sofrimento não fique circulando solto dentro do psiquismo.
Com o nascimento do primeiro filho a história se repete, há novamente um pai e um filho. José agora ocupa a função de pai. Deixa de ser o segundo, saindo da posição na qual sofria com a falta do pai, e passa a ser o primeiro colocando alguém em seu lugar.
Com o nascimento de seus dois filhos José pôde re-significar os seus traumas, mas não completamente. O sofrimento causado pela relação com os irmãos ainda não estava resolvida.
Conforme o relato bíblico e outros autores que narram a história judaica os irmãos de José foram ao Egito em busca de alimentos. Ele sofreu ao encontrá-los. Não foi reconhecido e por isso se aproveitou para testá-los, enganando-os e prendendo-os, fazendo com que sofressem um pouco do que havia passado. Da mesma maneira como seus irmãos mentiram a respeito de seu desaparecimento José os cerca em determinados momentos por mentiras reativando as lembranças do que fizeram. O desejo de vingança foi dominado porque dentro dele havia uma lei paterna inscrita – o temor a Deus.
Wondracek ( 2003 *) citando Freud (1921) menciona que a repetição tem o objetivo de dominar a angústia.

Quando a criança passa da passividade da experiência para a atividade do jogo, transfere a experiência desagradável para um de seus companheiros de brincadeira e, dessa maneira, vinga-se num substituto. ... há maneiras e meios suficientes para tornar o que em si mesmo é desagradável num tema a ser rememorado e elaborado na mente.(op.cit,p..27)

 Desta forma, José repete sua experiência traumática de diversas maneiras fazendo com que sua angústia seja expressa em palavras. Wondracek (2003) diz que

Tudo aquilo que não é transcrito para palavras permanece solto, livre, aterrorizante. Por isto o processo terapêutico e a confissão, tomam a forma libertadora – o que aflige é posto em palavras, recebe um nome, e com isto passa ao plano do simbolizado, passível de representação. Dar um nome à dor é um trabalho da alma, é construir o saber do padecer.

Quando os irmãos retornaram ao Egito levando Benjamim, foram recebidos na casa de José para uma refeição. A cena de todos os irmãos à mesa, levam-no a relembrar a casa de seu pai. Volta a fazer parte da cena familiar e do afeto do qual teve que renunciar para poder sobreviver durante os anos de solidão.
Ao prender ao irmão menor, Benjamim, José faz com que seus irmãos relembrem o sofrimento causado ao pai pelo que fizeram a ele e os leva a verbalizarem sua culpa e arrependimento. José chora ao ouvir a confissão dos irmãos libertando sua angústia até então trancada dentro de si. Já não consegue mais esconder sua identidade e se apresenta aos irmãos. Chorou tão alto que, segundo o relato bíblico, até “os egípcios ouviram, e a notícia chegou até o palácio do rei.” (GÊNESIS 45: 2)
Imediatamente busca saber se o pai ainda está vivo e manda buscá-lo para que venham viver com ele no Egito. No reencontro restaura-se a relação perdida, volta a ser o segundo junto ao primeiro, seu pai.
José finalmente encontra um significado para seu sofrimento ao dizer que Deus o enviara ao Egito antes deles para preserva-lhes a vida e conservar a descendência. Wondracek (2003) cita que “ achar um sentido no sofrimento é o que impediu que José sucumbisse com tudo que lhe aconteceu. Achar um sentido é poder ligar o sofrimento a algo, é poder representar, simbolizar, e com isto dar um nome, dar um rosto, e não só engolir como fogo.”
Andrade (1998, p.27) diz que “ o passado, e tudo que não seja da ordem do futuro é passado, deixa de ser um tempo perdido para tornar-se um celeiro das dimensões reprimidas que, resgatadas voltam plenas de possibilidades e realizações onde a história se deforma e se transforma num futuro onde as limitações do presente podem ser superadas.”
José, assim como Cinderela, vivencia a perda materna e um luto pela perda paterna, a rivalidade fraterna, o trabalho escravo e a transformação de escravo em pessoa  poderosa. Este relato bíblico apresenta vários temas universais e arquétipos também encontrados e explorados por vários contos de fada, e que ao serem apresentados à criança que vive conflitos semelhantes possibilitam-lhe apropriar-se dos instrumentos internos utilizados pelo personagem para resolução de seus próprios conflitos.



REFERÊNCIAS 

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BETTELHEIM, B. A Psicanálise dos Contos de Fada, Rio de Janeiro: Paz e                  Terra. 1980.

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WONDRACEK, K. K. José do Egito – Elaboração e Superação do Egito. Internet: http. www. anglicanismo. net/humanas/psicologia- abril/2004.


<a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/deed.pt"><img alt="Licença Creative Commons" style="border-width:0" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/3.0/80x15.png" /></a><br />O trabalho <span xmlns:dct="http://purl.org/dc/terms/" property="dct:title">Abordagem Terapêutica da História Bíblica de José no Egito</span> de <a xmlns:cc="http://creativecommons.org/ns#" href="http://espacocognoarte.blogspot.com" property="cc:attributionName" rel="cc:attributionURL">Rosilene Fatima Vieira Lopes</a> foi licenciado com uma Licença <a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/deed.pt">Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada</a>.<br />Com base no trabalho disponível em <a xmlns:dct="http://purl.org/dc/terms/" href="http://espacocognoarte.blogspot.com" rel="dct:source">http://espacocognoarte.blogspot.com</a>.<br />Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença em <a xmlns:cc="http://creativecommons.org/ns#" href="http://espacocognoarte.blogspot.com" rel="cc:morePermissions">http://espacocognoarte.blogspot.com</a>.



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Linguagem Simbólica dos Contos e das Histórias Bíblicas

“A história contada é como o vaso de argila
que traz no seu corpo a marca da mão que
o modelou; e é essa marca que torna possível,
completo, mostrando-o não apenas como um
objeto, mas também como o fruto de um desejo.”
Márcia Siqueira de Andrade



O universo infantil está cercado de inúmeras histórias e contos que são utilizadas para encantar, para ensinar, para transformar e também como instrumento terapêutico num processo de cura e desenvolvimento pessoal.
Cada uma dessas histórias e estórias possue em seu enredo situações que são vivenciadas no cotidiano e podem ou não ser elaboradas de forma positiva, gerando conflitos e angústias naquele que as vivencia.
Este trabalho aborda as interpretações dos contos de fada e das histórias bíblicas numa visão psicanalítica e busca analisar as relações simbólicas existentes em seu contexto que são fundamentais para sua utilização num processo terapêutico e arteterapêutico.
Para Rasga (2007), os contos de maneira geral, apresentam apenas o que é essencial numa narrativa concentrada; apresentam poucos personagens, fatos, lugar e tempo limitados. Dentre os contos encontram-se os textos maravilhosos nos quais o imaginário mistura-se ao real. Pode-se classificar as narrativas maravilhosas em:
• Contos de fada – são de origem celta e em seu enredo trazem o encantamento e/ou metamorfose (fadas, bruxas, animais falantes); para auto-realizarem-se seus heróis precisam superar obstaculos ou provas; tratam de problemáticas ligadas ao existencial. Podem conter ou não a presença de fadas.
• Contos maravilhosos – surgiram de narrativas orientais e abordam temas que enfocam os aspectos sociais; os heróis e heroínas alcançam a auto-realização na conquista de bens materiais; mostra a luta pela sobrevivência e a miséria dos personagens principais. Não contém fadas para auxiliar o protagonista.
Para Rocha (2007), as semelhanças existentes entre eles estão no fato de que, ambos os textos, apresentam obstáculos, viagens, sonhos/metas, algo ou alguém como mediador e a conquista com o final feliz. Além de servirem como meio de entretenimento, são utilizados para transmitirem valores morais e costumes e como instrumentos terapêuticos.


3.1 – Os Contos de Fada

Um dos primeiros a desenvolver estudos sobre a importância dos Contos de Fada no desenvolvimento psíquico da criança foi Jung. Para ele as associações estão ligadas as experiências armazenadas no inconsciente. (ALT, 2000).
Alguns seguidores de Freud acreditam que as lutas e os conflitos do conto de fada estão basicamente enraizadas nas questões edipianas, são puramente de ordem sexual e por isso as interpretações seguem as fases da sexualidade infantil: fase oral, fase anal e fase fálica.
Vários outros deixaram sua contribuição, entre eles podemos citar Bettelheim (1980) que defende uma interpretação psicossexual para os contos de fada. Para o autor os contos enfatizam as questões do ID, Ego e Superego, do bem e do mal e transmitem mensagens à mente consciente, à pré-consciente e a inconsciente.
Para ele é através das imagens que falam ao inconsciente que os processos infantis inconscientes se tornam claros para as crianças. Enquanto se desenvolve, a criança precisa aprender gradativamente a se entender melhor para poder entender os outros e assim estabelecer relações satisfatórias e significativas com os demais.
As crianças não compreendem os seus sentimentos pelo que eles são, apenas sentem e buscam verbalizá-los através de ações. Não há nada mais difícil e importante na criação das crianças que ajudá-la a encontrar significado na vida, e para que se possa encontrar este significado mais profundo necessita-se “transcender os limites estreitos de uma existência auto-centrada e acreditar que daremos uma contribuição significativa para a vida.” (op.cit.p.12).
Para que o conto possa atingir o inconsciente da criança precisa ser contado com riqueza de detalhes, caso contrário, perderá sua significação mais profunda. E se tentarmos explicar seus significados destruiremos seu encantamento e impossibilitaremos à criança de sentir que foi ela quem enfrentou com êxito uma situação difícil mediante suas interpretações interiores.
Uma boa história só cumpre seu papel quando estimula a imaginação, desenvolve o intelecto e clareia as emoções da criança. Apresentar um dilema existencial de forma breve e categórica, simplificar todas as situações, ter figuras esboçadas claramente e personagens que são mais típicos do que únicos, o mal ser tão onipresente quanto a virtude e se apresentarem sob forma de figuras e ações e o mal sempre perder no final são as características mais importantes dos contos de fada .
Nos contos de fada, as crianças lidam com diferentes problemas, um de cada vez, e isto facilita as mudanças na identificação do paciente com os personagens ou dos conflitos apresentados.
Identificar-se com um dos personagens leva a criança a projetar-se e vivenciar as experiências dele na sua própria história, e a garantia de um final feliz lhe assegura que qualquer que sejam suas descobertas sobre o seu inconsciente ela também poderá “viver feliz para sempre”.
Bettelheim (1980, p.23) coloca que para identificar qual história “é mais importante para uma criança específica numa idade específica depende inteiramente de seu estágio psicológico de desenvolvimento e dos problemas que mais a pressionam no momento.”
Numa outra abordagem teórica, a psicológica, o foco central das histórias está no senso do “eu”, nos aspectos da personalidade que prejudicam a ligação íntima da criança com outras pessoas, especialmente os pais. Nesta visão os contos são considerados como conflitos psicológicos ocultos. Eles se fundamentam nos sete pecados capitais da infância: a vaidade, a gula, a inveja, a luxúria, a hipocrisia, a avareza e a preguiça.
Para Cashdan (2000), que defende a perspectiva psicológica, os contos de fada são fonte de incomparável aventura e apresentam dramas sérios que refletem eventos que ocorrem no interior das crianças. São “psicodramas da infância”. (op.cit., p.33).
Para ele o valor duradouro dos contos se encontra “no poder de ajudar as crianças a lidar com os conflitos internos que elas enfrentam no processo de crescimento”. (op.cit., p.25).
Algumas preocupações marcam a vida infantil como sua posição na família, o sentimento que se tem por ela e quanto dele é dispensado a ela e seus irmãos e o medo de serem abandonadas em conseqüência do que dizem ou fazem.
Cashdan coloca que boa parte dos acontecimentos do conto de fada espelha as lutas interiores que as crianças travam contra as forças do eu e estas forças enfraquecem a capacidade de manter relacionamentos significativos. Através destas histórias, as crianças “projetam inconscientemente parte delas mesmas em vários personagens usando-os como repositórios psicológicos para elementos contraditórios do eu.” (op.cit., p.31).
Quando se apresenta o conto chamando sutilmente a atenção para o tema central as respostas podem se tornar mais significativas às perguntas dadas e quando explorado de maneira agradável pode auxiliar a resolver lutas interiores entre as forças do eu, forças negativas e positivas.
A criança precisa penetrar na história em um nível pessoal. O segredo do sucesso na terapia com as histórias se encontra no processo de identificação que deve ocorrer entre a criança, o personagem e os conflitos por ela enfrentados. Quando a criança chega à clínica psicopedagógica com dificuldades de expressar seus sentimentos, a história pode ser tornar uma saída para o paciente se reconciliar com os seus sentimentos e seus fracassos.
Cashdan (2000) diz que os eventos que formam um conto de fada acontecem em quatro etapas no caminho da descoberta.
1. Travessia – leva o herói a uma terra diferente, como floresta escura, poço e escadaria secreta, cheia de acontecimentos mágicos. A mensagem implícita está em que a pessoa precisa explorar, examinar, correr riscos para poder crescer.
2. Encontro – com uma presença maquiavélica. Força a criança a enfrentar tendências indesejáveis que possui. Enfrentar o mal torna-se um ato de auto-conhecimento.
3. Conquista – é a mais fundamental das quatro etapas, pois apresenta uma luta de vida e morte. Pela morte da bruxa a criança deixa de auto-recriminar, supera os conflitos internos e os aspectos negativos do eu são destruídos garantindo a superioridade dos aspectos positivos. “O eu é transformado, purificado levando a criança a se sentir mais auto-confiante e segura”.(op.cit.,56)
4. Celebração – casamento, reunião de família após a morte da bruxa com felicidade eterna. “De uma perspectiva de vantagem psicológica, um final feliz significa que as forças positivas do eu assumiram o comando.”(op.cit.56).
Os contos são considerados por Cashdan (2000, p.56) como “jornadas de triunfo e transformação.”
Bettelheim (1980, p.33) nos diz que “o conto de fada é terapêutico porque o paciente encontra sua própria solução através da contemplação do que a estória parece implicar acerca de seus conflitos internos neste momento da vida.”


3.2 – A Contribuição da História Bíblica como recurso terapêutico e arteterapêutico

A Bíblia é um conjunto de 66 livros escritos por vários autores que viveram em épocas diferentes e de profissões diversas. Nela encontram-se relatos históricos, poemas, cânticos, cartas de aconselhamento e código de leis e todos mantém uma unidade de pensamento em seus textos.
Néri (1996), ao falar sobre o universo das histórias bíblicas, estabelece comparações entre os contos de fada e os relatos bíblicos, tais como: ambos, em sua origem, não foram escritos para as crianças e por isto sua linguagem não lhes eram de fácil compreensão sofrendo adaptações posteriormente para atingir a mente infantil; apesar das alterações sofridas não perderam seus elementos essenciais e estruturais ; eram transmitidos de forma oral e despertam até os dias atuais grande interesse nas crianças. Para o autor, o maravilhoso existe nas histórias bíblicas, porém sua causalidade é atribuída a natureza divina, diferentemente do “fantástico” ou do “mágico” dos contos populares que é de origem sobrenatural. Dentro das histórias bíblicas encontram-se elementos simbólicos como a água, o rio, o mar, alguns animais, alimentos, os anjos, a arca, o fogo, o gigante, sonhos, entre vários outros. Néri analisa que apesar dos personagens bíblicos não apresentarem um único tipo ou arquétipos de comportamentos humanos como ocorrem nas narrativas maravilhosas, a maioria deles é reconhecido, identificado por um único traço de sua personalidade apesar de em suas histórias de vida apresentarem variações em seus comportamentos e atitudes. Tal caracterização dos personagens facilita o processo de identificação do ouvinte com o personagem.
Como exemplo, Néri cita Noé caracterizado pela paciência, Davi pela coragem e força interior, José pela fidelidade, Moisés pela liderança, Sansão pela força, entre outros.
Em tais histórias pode-se identificar temas como superação, cooperação, aceitação, inclusão, perdas, abandono, reconquista, adoção, missão, liderança, rejeição, luta, esperança, auto-confiança, medo, angústia, intimidação, coragem e vitória.
Os textos bíblicos são ricos em símbolos e trazem também uma linguagem simbólica que podem atuar no consciente e inconsciente de cada pessoa que a escuta, assim como os contos de fada.
Bettelheim (1980, p.22) nos diz que
(...)muitas histórias bíblicas são da mesma natureza que os contos de fada. As associações conscientes e inconscientes que despertam na mente do ouvinte depende de seu esquema geral de referências e de suas preocupações pessoais. Daí as pessoas religiosas encontrarem neles coisas importantes que não são mencionadas aqui.
Com a exceção de que Deus é central, muitas histórias da Bíblia podem ser reconhecidas como similares a contos de fada. (op.cit, p.67).

O autor comenta que os contos também trazem temas religiosos, pois foram escritos num período em que a vida das pessoas estava fundamentada na religião, e os considera como obra de arte porque possuem vários aspectos possíveis de serem explorados no aspecto psicológico.
Guttmam (2004), comenta que as histórias judaicas, sendo elas baseadas na Bíblia, são utilizadas para favorecer o crescimento espiritual de quem as escuta, ajudando na elaboração de suas vidas. Para ela, o terapêutico de uma história pode ocorrer ao ouvir, ao ler,ao contar e ao criar.
Assim como nossa vida emocional pode ser expressa por mitos antigos ou contos de fadas, no judaísmo as histórias bíblicas fazem que as pessoas ampliem sua visão de si mesma e do mundo... E, muitas vezes, quando escutamos determinadas histórias em momentos nos quais estamos abertos a elas, temos a sensação de que alguma percepção aconteceu e algo se transformou.(op.cit.,p. 259).

Os textos bíblicos a muito têm sido utilizados na clínica terapêutica e analisados à luz da psicanálise. Dolto (1979), discípula de Lacan, em sua prática clínica, também fez uso da arte como meio de comunicação com seus pacientes e de textos bíblicos no processo terapêutico.
Eles têm um poder muito mais surpreendente. Há dois mil anos eles são lidos e produzem sempre um efeito de verdade no íntimo de todo aquele que os lê.
Confesso que estou em busca das fontes dessa verdade. Sejam eles históricos ou não, esses textos são uma torrente fantástica de sublimação dos impulsos. Escritos com tal poder de penetração não podem ser negligenciados. Eles merecem que, formados pela Psicanálise, pesquisemos essa dinâmica, cuja chave deixam subentender.
(...) A leitura dos Evangelhos, repito, produz inicialmente um choque em minha subjetividade; depois, em contato com esses textos, descubro que Jesus ensina o desejo e nos seduz.
Descubro que esses textos de dois mil anos atrás não estão em contradição com o inconsciente dos homens de hoje em dia.
(...) O que leio nos Evangelhos, do ponto de vista da Psicanálise, parecer ser a confirmação, a ilustração dessa dinâmica viva, operando no psiquismo humano e de sua força que vem o inconsciente, aí onde o desejo nasce, de onde parte em busca daquilo que lhe falta.
(...) Coisa alguma da mensagem de Cristo estava em contradição com as descobertas freudianas. Sem hesitar decidi levar adiante essa leitura.
A vida, o efeito de verdade sempre nova que a convivência com os Evangelhos engendram no coração e na inteligência são um apelo renovado diariamente para que ultrapassemos nossos processos lógicos conscientes. São as mesmas palavras e estas parecem revelar um sentido novo, na medida em que avançamos em nosso tempo, no decurso de nossas experiências. (op. cit., p.12 e 14).

Simões (2008), em sua atuação como fonoaudióloga , psicopedagoga e psicanalista, passou a utilizar no processo terapêutico de seus pacientes, as histórias bíblicas, associadas as técnicas arteterapêuticas, como instrumento de mediação para o processo de identificação do paciente com a história, nos quais os personagens se faziam porta-vozes de seus conflitos e desejos e auxiliavam o paciente em seu auto-conhecimento, de forma agradável e poética. Fundamentou-se em Dolto (1979 e 1981), que em seu livro O Evangelho à Luz da Psicanálise relata sua experiência clínica com textos bíblicos e também estabelece uma relação com os contos de fada:
(... ) Ao ler os Evangelhos, eu descubro um psicodrama. As próprias palavras com que são narrados, a seleção das frases, a escolha de certos temas podem ser compreendidos, repito, de uma outra maneira, a partir da descoberta do inconsciente e de suas leis, por Freud.
Eles têm um poder muito mais surpreendente. Há dois mil anos eles são lidos e produzem sempre um efeito de verdade no íntimo de todo aquele que os lê.
Confesso que estou em busca das fontes dessa verdade. Sejam eles históricos ou não, esses textos são uma torrente fantástica de sublimação dos impulsos. Escritos com tal poder de penetração não podem ser negligenciados. Eles merecem que, formados pela Psicanálise, pesquisemos essa dinâmica, cuja chave deixam subentender.
[...] A leitura dos Evangelhos, repito, produz inicialmente um choque em minha subjetividade; depois, em contato com esses textos, descubro que Jesus ensina o desejo e nos seduz.
Descubro que esses textos de dois mil anos atrás não estão em contradição com o inconsciente dos homens de hoje em dia.
[...] O que leio nos Evangelhos, do ponto de vista da Psicanálise, parecer ser a confirmação, a ilustração dessa dinâmica viva, operando no psiquismo humano e de sua força que vem o inconsciente, aí onde o desejo nasce, de onde parte em busca daquilo que lhe falta.
[...] Coisa alguma da mensagem de Cristo estava em contradição com as descobertas freudianas. Sem hesitar decidi levar adiante essa leitura.
A vida, o efeito de verdade sempre nova que a convivência com os Evangelhos engendram no coração e na inteligência são um apelo renovado diariamente para que ultrapassemos nossos processos lógicos conscientes. São as mesmas palavras e estas parecem revelar um sentido novo, na medida em que avançamos em nosso tempo, no decurso de nossas experiências. (op. cit., 1979, p.12 e 14).

Edinger (1990), psicanalista, discípulo de Jung, diz que o homem tem necessidade desvendar os mistérios da alma naquilo que ele produz e que a Bíblia ocupa lugar proeminente nessa busca.
Os eventos da Bíblia, embora apresentados como história, são psicologicamente compreendidos como imagens arquétipas, isto é, como eventos pleromáticos que repetidamente irrompem na dimensão espácio-temporal e requerem um ego individual para poderem sobreviver. Quando lemos essas estórias com abertura para suas reverberações inconscientes, nós as reconhecemos como importantes para a nossa própria experiência. (op. cit., p.35).

Na busca de referenciar o tema abordado, por meio de diversos autores, percebe-se que as histórias bíblicas através de seus personagens e conteúdos manifestos podem atuar na vida de seus ouvintes, em especial daqueles que estão abertos para elas, como mediadoras no processo de transformação, de auto-conhecimento, de cura e de fortalecimento do potencial criativo ao promover o encontro do paciente consigo mesmo, assim como a Arteterapia. Conclui-se então, que ela pode ser um instrumento terapêutico não só pelo ouvir, como também pelo contar.

REFERÊNCIAS



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A LINGUAGEM SIMBÓLICA DOS CONTOS E DAS HISTÓRIAS BÍBLICAS de Rosilene Fatima Vieira Lopes é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.




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