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sábado, 3 de agosto de 2013

INCLUSÃO E ALFABETIZAÇÃO DE ALUNOS COM SÍNDROME DE DOWN NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

 

 RESUMO:
O presente artigo tem como finalidade analisar a importância da educação especial para a formação e desenvolvimento de crianças com Síndrome de Down, especialmente nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Infelizmente, muitos professores acreditam que a inclusão de alunos com Síndrome de Down em suas classes é preocupante e ficam receosos a princípio. No entanto, a experiência revela que a maioria dos professores possui as ferramentas necessárias para compreender as necessidades específicas destas crianças e são capazes de ensiná-los de modo efetivo e com sensibilidade. Neste sentido, este trabalho apresenta informações acerca do perfil de aprendizado peculiar de uma criança Down e boas práticas para sua educação no Ensino Fundamental, em direção a uma inclusão bem-sucedida. A partir da pesquisa bibliográfica foi possível compor um quadro visível das questões que conduzem o processo de inclusão da criança Down na escola, inclusive levando a conhecer detalhadamente o caminho percorrido por ela e também por todos aqueles que participam dessa incansável batalha rumo a êxitos. A inclusão é necessária na educação, na cultura, na sociedade, no coração. Quando isso ocorrer, será possível falar de vida inclusiva, ou seja, de vida plena.

Palavras-chave: Síndrome de Down, Alfabetização, Ensino Fundamental, Séries Iniciais.

ABSTRACT:
This article aims to analyze the importance of special education for the training and development of children with Down syndrome, especially in the early grades of elementary school. Unfortunately, many teachers believe that the inclusion of students with Down syndrome in their classes is disturbing and are afraid at first. However, experience shows that most teachers have the tools necessary to understand the specific needs of these children and are able to teach them effectively and with sensitivity. Thus, this paper presents information about unique learning profile of a child Down and best practices for their education in elementary school, toward a successful inclusion. From the literature it was possible to compose a visible issues that drive the process of inclusion of Down children in school, including detailed knowledge leading to the path taken by her and also by all those who participate in this relentless battle towards success. Inclusion is needed in education, in culture, in society, in the heart. When this occurs, it will be possible to speak of life inclusive, ie, full life.

Keywords: Down syndrome, Literacy, Elementary Education, Initial Series.

INTRODUÇÃO
Sempre existiu muito preconceito com relação à criança com Síndrome de Down, que por um longo período foi avaliada como retardada, incapaz e, em algumas sociedades, era vista até mesmo como monstro ou filha do demônio. Entretanto, ainda hoje encontramos algumas distorções sobre o conceito de Down, que é confundido com deficiente mental (SIQUEIRA, 2013).
Porém, agora já se sabe que tal síndrome está relacionada a uma alteração genética e que seus portadores, apesar de apresentarem algumas dificuldades e limitações, podem ter uma vida normal e realizar atividades cotidianas do mesmo modo que qualquer outro indivíduo.
Segundo Augusto (2012), a partir de estimulações adequadas, isto é, com um atendimento especializado, a criança Down pode se desenvolver e realizar atividades cotidianas e até mesmo obter formação profissional.
Schwartzan (2000, p. 34) afirma que, “Freqüentar a escola permitirá à criança especial adquirir, progressivamente, conhecimentos cada vez mais complexos que serão exigidos da sociedade e cujas bases são indispensáveis para a formação de qualquer indivíduo”.
Entretanto, segundo Silva (2013), a falta de atendimento especial, sobretudo na Educação Infantil, aliada à carência de recursos e equipe qualificada, ao ambiente físico inadequado, à ausência de novas propostas de ensino, à não continuidade de planejamento e ações, e à não igualdade de recursos e oportunidades, acabam por dificultar o acesso de muitas crianças especiais ao ensino especializado.
Assim sendo, o presente trabalho tem como objetivo abordar justamente a questão da educação da criança com Síndrome de Down, especialmente nas séries iniciais do Ensino Fundamental.
Propõe-se um conhecimento mais profundo sobre as crianças com Síndrome de Down e suas habilidades e limitações, acreditando ser de grande valia para familiares e profissionais da área de Educação, que poderão estimular a criança de forma apropriada, possibilitando-lhe um amplo desenvolvimento. Também almeja-se, apresentar técnicas inovadoras na educação da criança com Síndrome de Down, que auxiliarão os procedimentos diante da criança; bem como rever o papel do educador, que também precisa incorporar esta criança na comunidade e trabalhar sua aceitação social e até mesmo a inserção no mercado de trabalho. Deseja-se ainda enfatizar a importância da família no desenvolvimento da criança.
É necessário que as escolas concentrem esforços para desenvolver as potencialidades e capacidades do aluno, considerando os objetivos e estratégias que lhe poderão ser mais proveitosos; independente se é escola comum ou especial.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

1. A SÍNDROME DE DOWN
O que é Síndrome? Segundo Werneck (1995, p. 34) “Síndrome é um conjunto de sinais que caracterizam um determinado quadro clínico e pode ter várias causas”.
Conforme define Schwartzman (2000, p, 3), “A síndrome de Down é decorrente de uma alteração genética ocorrida durante ou imediatamente após a concepção”.
Tal alteração genética é caracterizada pela presença extra do autossomo 21, isto é, em vez de apresentar dois cromossomos 21, o indivíduo possui três. Esta alteração é denominada como trissomia simples (SILVA, 2013).
Porém, de acordo com Silva (2013), é possível encontrar outras alterações genéticas que causam Síndrome de Down, como as provenientes de translocação, onde o autossomo 21 extra, está ligado a outro autossomo. A alteração ainda pode acontecer em virtude da proporção mutável de células trissômicas presente ao lado de células cito geneticamente normais.
Todavia, estes dois tipos de alterações genéticas são menos frequentes do que a trissomia simples. Tais alterações genéticas são advindas de "defeito" em um dos gametas, que irão formar o indivíduo. Os gametas deveriam conter somente um cromossomo e, dessa forma, a união do gameta materno com o gameta paterno produziria um gameta filho com dois cromossomos, como toda a espécie humana. Contudo, durante a formação do gameta podem ocorrer alterações e, por meio da não-disjunção cromossômica, que acontece durante o processo de reprodução, podem-se formar gametas com cromossomos duplos que, ao se ligarem a outro cromossomo através da fecundação, produzem uma alteração cromossômica (BISSOTO, 2013).
Tais alterações genéticas modificam todo o desenvolvimento e maturação do organismo e até mesmo a cognição do sujeito com a síndrome; além de lhe fornecerem outras características relativas a síndromes. Segundo Silva (2013), geralmente, o indivíduo com Síndrome de Down é calmo, afetivo, bem humorado e com prejuízos intelectuais, que podem apresentar grandes variações no que diz respeito ao comportamento destes pacientes.
Na opinião de Silva (2013), a personalidade muda de pessoa para pessoa, podendo apresentar distúrbios do comportamento, desordens de conduta e seu comportamento pode variar com relação ao potencial genético e características culturais, que determinam o comportamento.
O defeito físico traz consequências relevantes, no que diz respeito aos processos psicológicos superiores, culturalmente desenvolvidos e, processos naturais com as consequências psicossociais. Assim são estes processos mentais superiores que devem ser o foco de desenvolvimento, em vez da compensação do déficit sensorial ou físico (SILVA, 2013).
A aprendizagem de conceitos é um processo diferenciado nas crianças especiais, sejam eles espontâneos ou científicos, pois estas crianças precisam de situações formais de aprendizagem que a auxiliem a assimilar conceitos.

1.1 Características Principais da Criança com Síndrome de Down


De acordo com Schwartzman (2000), a síndrome de Down é assinalada por muitas alterações relacionadas, que são observadas em muitos casos.
As principais alterações orgânicas, que acompanham a síndrome são: cardiopatias, prega palmar única, baixa estatura, atresia duodenal, comprimento reduzido do fêmur e úmero, bexiga pequena e hiperecongenica, ventriculomegalia cerebral, hidronefrose e dismorfismo da face e ombros (SCHWARTZMAN, 2000, p. 28).
Também podem ocorrer outras alterações, como: braquicefalia, fissuras palpebrais, hipoplasia da região mediana da face, diâmetro fronto-occipital reduzido, pescoço curto, língua protusa e hipotônica e distância aumentada entre o primeiro, o segundo dedo dos pés, crânio achatado, mais largo e comprido; narinas normalmente arrebitadas por falta de desenvolvimento dos ossos nasais; quinto dedo da mão muito curto, curvado para dentro e formado com somente uma articulação; mãos curtas; ouvido simplificado; lóbulo auricular aderente e coração anormal (SILVA, 2013).
No que se refere às alterações fisiológicas, para Schwartzman (2000) diz que é possível observar muita sonolência nos primeiros dias de vida e ainda, dificuldade para acordar e dificuldades para sucção e deglutição. No entanto, tais alterações irão sendo amenizadas no decorrer do tempo, conforme a criança vai crescendo e se tornando mais alerta.
É muito comum, a criança com Síndrome de Down apresentar grande hipotonia. Porém, a hipotonia geralmente também vai sendo amenizada conforme a criança for crescendo e com treino muscular precoce. É possível promover um acréscimo na ativação muscular através da estimulação tátil (SCHWARTZMAN, 2000).
Nos casos de dificuldades de pronúncias e de desenvolvimento da linguagem, terapias específicas podem ter êxito. O coração – mais de 40% das crianças tem problemas cardíacos no momento do nascimento ou logo em seguida. Um grande número de crianças tem morte prematura. A pele tem um aspecto manchado e se torna seca com os anos. Os cabelos finos e ralos. As estaturas são quase sempre menores do que as crianças normais (SMITH & WILSON, 1996).
Ao nascer, possuem as mesmas medidas das crianças consideradas normais. Até os 4 anos, seu crescimento não difere muito dessas, porém, a partir dessa idade há uma diminuição no crescimento. Crianças com 15 anos, têm altura de uma criança de 8 – 9 anos. Na idade adulta, os homens medem em média 1,52m e as mulheres 1,40m. O peso pode apresentar obesidade da segunda infância e da adolescência (COSTA, 2010).
Segundo Costa (2010), com relação à saúde geral na infância, de 20 a 40% dessas crianças não sobrevivem nos primeiros meses ou anos. Nota-se uma propensão à infecção nos olhos, ouvidos, aparelho respiratório. Na adolescência, o desenvolvimento sexual pode ser tardio e incompleto. São poucos os que se casam, dizem que há uma diminuição da libido. Poucas mulheres com Síndrome de Down deram à luz. Mais ou menos 50% dos filhos tiveram Síndrome de Down, os demais foram normais. Os adultos com a Síndrome parecem envelhecer mais rápido. O processo de envelhecimento se manifesta em primeiro lugar na pele e depois na mucosa bucal, o que pode ocasionar perda prematura dos dentes. As infecções respiratórias, enfermidades pulmonares, podem ser graves problemas nos adultos e constituem causa potencial das mortes.
Conforme Silva (2013), também podem ser verificadas alterações fisiológicas a partir do retardo no desaparecimento de alguns reflexos como o de marcha, de preensão e de moro. Tal atraso é patológico e gera o atraso das aquisições motoras e cognitivas características desta fase, visto que muitas atividades dependem da desta inibição reflexa para se desenvolverem, como o reflexo de moro, que é substituído pela marcha voluntária.
Silva ainda esclarece que, o sistema nervoso da criança com Síndrome de Down possui falhas estruturais e funcionais, que produzem disfunções neurológicas, que variam de intensidade e forma de manifestação. Segundo Schwartzman (2000, p. 55), “nas crianças mais velhas foram observadas anormalidades nos neurônios piramidais pequenos, especialmente nas camadas superiores do córtex”.
Segundo Silva (2013), o processo de desenvolvimento e maturação do sistema nervoso é um processo complexo, porém, a criança com Síndrome de Down ainda se encontra no estágio fetal, já apresentando alterações no desenvolvimento do sistema nervoso central.
Wisniewski (1990 apud SILVA, 2013), em seus estudos, concluiu que até os cinco anos de idade, o cérebro das crianças com Síndrome de Down é, em termos anatômicos, semelhante ao de crianças normais, contendo somente diferenças de peso, que é menor que o considerado normal. Isso acontece em razão de uma desaceleração do crescimento encefálico que começa em torno dos três meses de idade.
Damasceno (1997) nos coloca que uma criança com Síndrome de Down possui propensões espontâneas para melhorar, visto que seu Sistema Nervoso Central permanece amadurecendo com o passar do tempo. Entretanto, este amadurecimento é mais lento do que o visto nas crianças normais.
No parecer da Neuropatologia, consoante Lefévre (1985), a informação mais relevante na Síndrome de Down é a desaceleração no desenvolvimento do Sistema Nervoso Central. O cérebro tem menos volume e peso, principalmente nas zonas do lóbulo frontal, tronco cerebral e do cerebelo. Provavelmente, as anomalias do cerebelo são responsáveis pela hipotonia, ou seja, amolecimento dos músculos encontrada em quase todos os casos.

1.2 A Etiologia da Síndrome de Down


Segundo Smith e Wilson (1996), a Síndrome de Down ocorre durante o desenvolvimento do óvulo e do espermatozoide no momento da fecundação. Ocorre um erro que modifica o número correto de cromossomos próprios de cada célula do embrião. Uma criança com Síndrome de Down nasce com um cromossomo a mais em cada célula do organismo. E precisamente esse cromossomo adiciona é que motiva as alterações físicas e mentais. As pesquisas revelam que um em cada 700/900 nascidos vivos são afetados (STEELE e STRATFORD, 1995 apud SCHWARTZAMN, 2000).
Até o momento não há cura. Trata-se de uma anomalia das próprias células, “não existindo drogas, vacinas, remédios, escolas ou técnicas milagrosas para curá-la” (BISSOTO, 2013, p. 10). Porém, muitos fatores podem favorecer o desenvolvimento motor e intelectual do indivíduo com Síndrome de Down, como por exemplo, os programas de estimulação precoce, que devem ser iniciados com 15 dias após o nascimento.

1.3 As Dificuldades de Aprendizagem do Indivíduo com Síndrome de Down


De acordo com Silva (2013), a criança com Síndrome de Down possui idade cronológica diferente de idade funcional. Assim sendo, não se deve esperar uma resposta igual à das crianças "normais", que não manifestam alterações de aprendizagem.
O fato de a criança não ter desenvolvido uma habilidade ou demonstrar conduta imatura em determinada idade, comparativamente a outras com idêntica condição genética, não significa impedimento para adquiri-la mais tarde, pois é possível que madure lentamente (SCHWARTZMAN, 2000, p. 245).
A velocidade para aprender depende da intrincada adaptação dos processos neurológicos e da harmoniosa evolução de funções específicas, como linguagem, percepção, esquema corporal, orientação temporo-espacial e lateralidade (VOIVODIA, 2004).
Com muita frequência, encontramos na criança com Síndrome de Down alterações severas de internalizações de conceitos de tempo e espaço, que tornarão difíceis muitas aquisições e repercute particularmente em memória e planificação, além de dificultarem bastante a aquisição de linguagem (SILVA, 2013).
Segundo Voivodia (2004), crianças especiais, como as com Síndrome de Down, não desenvolvem estratégias espontâneas e isto precisa ser levado em consideração em seu processo de aprendizagem, visto que ela terá muitas dificuldades para solucionar problemas e encontrar soluções sozinhas.
Outras deficiências que a criança com Síndrome de Down apresenta e trazem dificuldades na aquisição da aprendizagem são: deficiências auditivas e visuais; incapacidade de organização de ações cognitivas e condutas, dificuldade de associação e programação de sequências (SOARES, 2007).
Para Silva (2013), tais dificuldades se devem, sobretudo, ao fato de que a imaturidade nervosa e não mielinização das fibras pode prejudicar funções mentais, como: habilidade para utilizar conceitos abstratos, percepção geral, imaginação, memorização, relações espaciais, esquema corporal, habilidade no raciocínio, estocagem do material aprendido e transferência na aprendizagem. Essas deficiências prejudicam principalmente as atividades escolares.
Entre outras deficiências que acarretam repercussão sobre o desenvolvimento neurológico da criança com síndrome de Down, podemos determinar dificuldades na tomada de decisões e iniciação de uma ação; na elaboração do pensamento abstrato; no calculo; na seleção e eliminação de determinadas fontes informativas; no bloqueio das funções perceptivas (atenção e percepção); nas funções motoras e alterações da emoção e do afeto (SCHWARTZMAN, 2000, p. 248).
Porém, a criança com Síndrome de Down é capaz de se desenvolver e realizar atividades cotidianas e até mesmo alcançar formação profissional (DIAS, 2000).
No ponto de vista evolutivo, a linguagem e as atividade como leitura e escrita podem ser desenvolvidas por meio das experiências da própria criança (DIAS, 2000).
Quanto ao desenvolvimento motor, são frequentes as hipocinesias relacionadas à falta de iniciativa e espontaneidade ou hipercinesias e desinibição, o que também afetam a aprendizagem, visto que o desenvolvimento psicomotor é a base da aprendizagem (SILVA, 2013).
As diversas alterações do sistema nervoso refletem em alterações do desenvolvimento global e da aprendizagem. Não existe um padrão definido previsível nas crianças com Síndrome de Down e o desenvolvimento da inteligência não depende somente da alteração cromossômica, mas também de estímulos vindos do meio (SILVA, 2013).
Entretanto, o desenvolvimento da inteligência é deficiente e geralmente há um atraso global. As disfunções cognitivas apresentados pelo indivíduo com a Síndrome de Down não são homogêneas e a memória sequencial auditiva e visual, na maioria das vezes, são rigorosamente prejudicadas (SOARES, 2007).

2. A EDUCAÇÃO ESPECIAL PARA CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN

De acordo com Voivodia (2004), a educação especial é uma modalidade de ensino que tem como objetivo promover o desenvolvimento global de educandos com deficiências, que precisam de atendimento especializado, respeitando as diferenças de cada um, de forma a lhes garantir o pleno exercício dos direitos básicos de cidadão e real integração social.
Possibilitar ao deficiente o desenvolvimento de suas capacidades abrange o desenvolvimento completo de sua personalidade, a participação ativa na vida em sociedade e no mundo profissional; são objetivos centrais da educação especial e do mesmo modo que é preciso favorecer o desenvolvimento bio-psiquico-social, também se deve promover uma aprendizagem que conduza a criança com necessidades especiais a uma maior autonomia (SOARES, 2007).
A prática pedagógica adaptada às diferenças individuais vem sendo incentivada dentro das instituições escolares do ensino regular. Entretanto, exige metodologias, procedimentos pedagógicos, materiais e equipamentos apropriados.
O educador especializado precisa dar valor às reações afetivas de seus educandos e estar atento a seu comportamento global, para solicitar recursos mais requintados como a revisão médica ou psicológica. E outro ponto extremamente relevante é o fato de que o educador precisa considerar o educando como um indivíduo inteligente, com desejos e afetividades que devem ser respeitadas, visto que ele não é somente um ser que aprende (ALTON, 2007).
A educação especial atual é prevista por lei e foi um direito conquistado paralelamente com os direitos humanos. Assegurar o acesso à educação e permanência da escola exige a prática de uma política de respeito às diferenças individuais.

2.1 Enfoques da Intervenção Pedagógica Junto a Criança com Síndrome de Down


A criança com Síndrome de Down apresenta muitas fragilidades e limitações. Desse modo, o trabalho pedagógico precisa, em primeiríssimo lugar, respeitar o ritmo da criança e proporcionar-lhe estimulação apropriada para desenvolvimento de suas habilidades. Programas precisam ser desenvolvidos e implementados conforme as necessidades especificas das crianças (CUNNINGHAM, 2008).
Segundo Mills (apud SCHWARTZMAN, 2000), a educação da criança especial é uma atividade complexa, visto que requer adaptações de ordem curricular que exigem cuidadoso acompanhamento dos educadores e pais.
Frequentar a escola permitirá a criança especial conquistar, gradualmente, conhecimentos cada vez mais complexos que serão requeridos pela sociedade e cujas bases são imprescindíveis para a formação de qualquer indivíduo (VOIVODIA, 2004).
De acordo com a psicogênese, o ser humano é avaliado como ferramenta fundamental à interação e ação. E conforme explica Piaget (1980), o conhecimento não deriva, originalmente, nem de um indivíduo consciente de si mesmo, nem de objetos já formados e que a ele se imponham. O conhecimento é resultado da interação entre os dois.
Nesse sentido, a escola precisa optar por uma proposta curricular fundamentada na interação sujeito-objeto, abrangendo o desenvolvimento desde o início.
E a aprendizagem das crianças com deficiências precisa acontecer de modo sistemático e organizado, seguindo passos previamente determinados. O ensino não precisa ser teórico e metódico, mas sim acontecer de maneira agradável despertando o interesse na criança. Geralmente, o lúdico atrai muito a criança na primeira infância, sendo um recurso bastante utilizado, visto que possibilita o desenvolvimento integral da criança por meio da estimulação de diferentes áreas (ALTON, 2007).
De modo geral, uma das maiores preocupações no que diz respeito à educação da criança ocorre no período que vai desde o nascimento ao sexto ano de idade. Nesta fase, a educação infantil objetiva permitir à criança maior autonomia, experiências de interação social e adequação; possibilitando que ela se desenvolva quanto a aspectos afetivos, volitivos e cognitivos, que sejam espontâneas e antes de mais nada, que sejam "crianças" (SILVA, 2013).
De início, a criança adquire uma série de conhecimentos livres que lhe permitirão desenvolver conhecimentos mais complexos, como o caso de regras (SOARES, 2007).
Os conhecimentos precisam acontecer de maneira organizada e sistemática, percorrendo um caminho com passos previamente determinados de forma lúdica e divertida, que permite que a criança reúna um conjunto de experiências integradas que lhe possibilite se relacionar contexto social e familiar (SILVA, 2013).
O atendimento à criança com síndrome de Down deve acontecer gradualmente, visto que ela não é capaz de absorver grande quantidade de informações. Também não se deve apresentar à criança com SD informações isoladas ou mecânicas, devendo a aprendizagem acontecer de modo facilitado, por meio de momentos prazerosos (ALTON, 2007).
É importante que o profissional incentive o desenvolvimento da aprendizagem nas situações cotidianas da criança, e sua evolução gradual precisa ser respeitada. Não é apropriado pular etapas ou exigir da criança atividades que ela não consiga realizar, visto que isso não lhe trará benefícios e ainda podem lhe gerar estresse (SILVA, 2013).
É usual perceber evolução desarmônica e movimentos estereotipados em crianças com SD, que pode ser compensada a partir do planejamento psicomotor bem conduzido, que lhe permite experiências primordiais para sua adaptação (ALTON, 2007).
Para Voivodia (2004), a atividade física na escola tem possibilitado a todas as crianças, normais e com necessidades especiais, um grande desenvolvimento integral que será o fundamento para as demais aquisições.
Resgatar a relevância do corpo e seus movimentos, do conceito de vida vinculado a movimento, da retomada do sujeito como agente ativo na construção de sua história, são propostos pela educação física (VOIVODIA, 2004).
O ser humano possui um corpo que está sobre seu domínio, cujas partes constituem o indivíduo, e justamente pela integração de mente e corpo reconstruímos os elos quebrados. Para que as aquisições aconteçam de modo integro é necessário que um indivíduo vivencie experiências e por meio delas elabore seus conceitos e internalize as informações adquiridas (SILVA, 2013).
Segundo Alton (2007), antes de conquistar qualquer conhecimento, a criança deve descobrir seu corpo e conceber uma imagem corporal que é uma representação mental, perceptiva e sensorial de si próprio e um esquema corporal que envolve uma representação organizada dos movimentos indispensáveis à realização de uma ação, e à organização das suas funções corporais, que são construídos e reformulados no decorrer da vida.
Conforme Silva (2013, p. 08):
Funções como capacidade de dissociar movimentos, individualizar ações, organizar-se no tempo e no espaço e coordenação motora, servem de base para desenvolver atividades especificas. Assim, são fundamentais as aquisições, a descoberta do corpo e de seus seguimentos, relação do corpo com objeto, espaço entre corpo e objeto, percepção dos planos horizontal e vertical, entre outras. São fundamentais para a relação sujeito-meio, que será pano de fundo de todas as aprendizagens.
As experiências com a relação de quantidade, qualidade e forma do indivíduo determinará a qualidade da formulação de seus conceitos. Reduzindo as atividades lúdicas na vida da criança, limitam-se suas experimentações, visto que ela necessita interagir com a realidade fazendo uso de todos os seus sentidos e todo o seu corpo (SILVA, 2013).
É primordial ratificar o proposto pela educação física, que afirma, que “o corpo não pode ser separado da mente e suas funções se completam os tornando parte um do outro” (SILVA, 2013, p. 09). Dessa forma, sentir, aprender, processar, entender, resolver problemas, são essenciais no processo de formação da criança. É por meio do corpo que ela experimenta o mundo e o movimento é mediador em suas construções (VOIVODIA, 2004).
A possibilidade que um corpo tem de se movimentar no espaço é ferramenta fundamental para o desenvolvimento do intelecto e o corpo serve como órgão de trabalho produtor de experiências. Explorar as possibilidades motoras de uma criança desencadeia circuitos sensório-motores que estruturaram as relações que ela produzirá no futuro. O processo formal da educação baseia-se em repassar conceitos à criança sem conduzi-la à vivência e este é seu ponto falho, visto que para internalizar uma informação não é suficiente apenas decorar conceitos, é preciso participar da construção destes e desenvolver suas próprias ideias. A criança precisa ser vista de maneira global e educá-la não é somente trabalhar a mente, mas sim o global, envolvendo todos os aspectos, inclusive a interação com o meio tendo contato direto com o universo de objetos e situações que o rodeiam podendo dessa forma efetivar suas construções acerca da realidade (ALTON, 2007).
Segundo Silva (2013), todas as atividades propiciadas à criança precisam ter como finalidade a aprendizagem ativa que lhe permita desenvolver suas habilidades.
Diante da grande mudança das habilidades e dificuldades da síndrome de Down, programas individuais precisam ser levados em consideração, nos quais ressalta-se as possibilidades de aprendizagem de cada criança e a motivação necessária para o desenvolvimento da mesma. Para isso, o educador precisa conhecer as diferenças de aprendizagem de cada criança de maneira a organizar seu trabalho e programação didática (ALTON, 2007).
O professor de recursos precisa dar prioridade às atividades onde o aluno com necessidades educativas especiais possui dificuldades e necessidade de ajuda, servindo como seu tutor em suas classes e devendo cuidar para que professores e alunos recebam os materiais e equipamentos didáticos adequados (SOARES, 2004).
Algo decisivo para uma boa assistência a crianças com necessidades especiais é não sobrecarregar a sala de recursos especiais para que o educador consiga trabalhar adequadamente. E é primordial ainda, que o educador designado esteja preparado para conseguir atender as necessidades de seus educandos e trabalhar harmoniosamente com o educador da classe regular (SOARES, 2004).
De acordo com Silva (2013), alguns princípios básicos precisam ser levados em consideração no que se refere ao ensino de crianças com necessidade especiais, como é o caso da síndrome de Down:
·      As atividades precisam ser baseadas em coisas concretas, para poderem ser manuseadas pelos educandos;
·      As experiências precisam ser adquiridas no ambiente próprio do educando;
·      Situações que possam gerar estresse ou ser traumatizantes precisam ser evitadas;
·      A criança precisa ser respeitada em todos os aspectos de sua personalidade;
·      A família da criança deve participar do processo intelectivo.
Na atualidade, conforme Silva (2013), a classe especial é a estratégia mais indicada para o trabalho com crianças especiais, visto que possibilita a sua integração na sociedade.
Segundo Voivodia (2004), é possível encontrar classes parcialmente integradas, isto é, onde educandos e educadores passam parte do dia em classes regulares e o restante do tempo em classes especiais. Este método é muito usado no Ensino Fundamental II e possibilita que os deficientes participarem de aulas regulares de arte, música, educação física, trabalhos práticos e economia doméstica. Enquanto as matérias mais complexas como matemática, gramática, ciências e outras são reservadas ao ensino especializado com professores especiais.
Ainda é possível e usual observar escolas especiais, que trata-se de um método também muito usado, sobretudo para crianças com incapacidades múltiplas. Geralmente, tais escolas possuem condições significativas, instalações e equipamentos especiais, contando com profissionais especialmente treinados, que asseguram a assistência e a instrução destas crianças (ALTON, 2007).
Entretanto, as desvantagens da escola especial são diversas. As principais são: ambiente muito segregado que não contribui para a integração social; estigma da classe especial menor que o da escola separada; o isolamento físico e social dos educandos da classe especial e seu educador é colocado em nível inferior da escala de prestigio profissional e o maior custo de instalações especiais e equipamentos para várias salas de aula (VOIVODIA, 2004).

2.1.1 A Educação Básica


De acordo com Gundersen (2006), os objetivos da educação nacional, declarados no art. 1°. da Lei n°. 4.024/61, manifestam os ideais de liberdade, solidariedade e valorização do ser humano, que precisam conduzir toda educação no País. Dentro destes ideais, a Lei n°. 5.692/71, no seu art. 1°. determina o objetivo geral do ensino, que consiste em permitir ao aluno a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades e como agente de auto realização, na qualificação para o trabalho e preparação para o exercício consciente da cidadania (GUNDERSEN, 2006).
Nas palavras de Alves (2007, p. 12), “o desenvolvimento, ampliação e especialização das possibilidades psicomotoras da criança Down tornam possível que ela execute atividades didáticas simples”, iniciando assim o processo de alfabetização, no qual o educando está criando, elaborando conceitos para perceber a realidade e ordenar o mundo que a cerca (ALVES, 2007).
Conforme Silva (2013), neste período, a participação do aluno é ativa e é primordial que a escola desenvolva ao máximo, em todas as áreas, as possibilidades do conhecimento, as habilidades atuais e futuras de aprendizagem do educando com síndrome de Down.
O trabalho com o educando precisa se fundamentar no contato e interação com o outro, e os eventuais complementos das atividades pedagógicas desenvolvidas precisam ser informais, por meio de jogo e brincadeiras, da relação com o colega e com o material apropriado. Dessa forma, de modo agradável e prazeroso, o aluno vai desenvolvendo atividades físicas, emocionais e cognitivas que permitem a elaboração do pensamento (ALTON, 2007).
Neste período, “a manutenção da fluidez e flexibilidade neuropsicológica é fundamental para se evitar rigidez precoce, que acarreta a redução da utilização de estratégias no âmbito da aprendizagem” (SCHWARTZMAN, 2000, p. 241).
É necessário que as escolas concentrem esforços para desenvolver as potencialidades e capacidades do educando, considerando os objetivos e estratégias que lhe poderão ser mais úteis, independente do tipo da escola, se é comum ou especial. O mais importante é que o educador desenvolva em salas de aula condições que lhe possibilitem um melhor convívio em grupo e, para tanto, pode trabalhar as dinâmicas de grupos cooperativos (SILVA, 2013).
De início, é relevante que a instituição escolar conheça todas as dificuldades e habilidades de cada educando, visando promover suas necessidades básicas para aprendizagem e desenvolvimento (VOIVODIA, 2004).
Segundo Voivodia (2004), busca-se identificar no aluno os rendimentos, atitudes, motivação, interesse, relações pessoais, modo de executar tarefas e enfrentar situações. Através dos resultados desta observação são planejadas as adaptações voltadas ao apoio pedagógico, contribuindo para as aquisições por meio de intervenções planejadas e organizadas em benefício de um objetivo fundamental, que deve ser a organização dos fatores individuais e materiais que permitirão novas aprendizagens. O trabalho pedagógico com tais alunos é um processo complexo e resulta em uma dinâmica evolutiva fundamentada nas capacidades do sujeito (VOIVODIA, 2004).
Conforme Alton (2007), alguns pontos precisam ser considerados no que se refere à educação do indivíduo com síndrome de Down.
·      Estruturar seu autoconhecimento;
·      Desenvolver a capacidade de expressão;
·      Progredir satisfatoriamente em desenvolvimento físico;
·      Adquirir hábitos de bom relacionamento;
·      Trabalhar cooperativamente;
·      Adquirir destreza com materiais de uso diário;
·      Atuar em situações do dia a dia;
·      Adquirir conceitos de forma, quantidade, tamanho espaço tempo e ordem;
·      Familiarizar-se com recursos da comunidade onde vive;
·      Desenvolver interesses, habilidades e destrezas que o oriente em atividades profissionais futuras;
·      Ler e interpretar textos expressos em frases diretas;
·      Desenvolver habilidades e adquirir conhecimentos práticos que o levem a descobrir conhecimentos práticos que o conduzam a descobrir valores que favoreçam seu comportamento no lar, na escola e na comunidade.
De acordo com Soares (2007), no que diz respeito à alfabetização, não existe um método orientado especificamente para as crianças com síndrome de Down e cada criança exige um modo de intervenção especifico, ao qual se adequa.
Nas séries iniciais de alfabetização, o atendimento precisa abranger as características específicas de cada educando, promover o desenvolvimento do seu equilíbrio emocional, de sua autoconfiança, de sua capacidade de criação e expressão, de condições essenciais à sua integração harmonia na sociedade. Deverão, ainda, prepará-lo para a alfabetização, que se iniciará na sequência, quando a criança for capaz de descrever objetos e ações; discriminar sons; identificar semelhanças e diferenças entre sons iniciais e finais de palavras; identificar símbolos gráficos; articular fonemas corretamente; combinar elementos concretos para a formatação de conjuntos; organizar, perceptivamente, sequências da esquerda para a direita; fazer uso de conceitos nas áreas de relações temporo-espaciais; participar de atividades lúdicas; seguir e dar instruções simples; estabelecer relações símbolos e significados; participar de conversas; organizar ideias em sequência lógica; demonstrar controle muscular; reconstruir ações passadas e prever ações futuras; demonstrar criatividade e estabelecer pensamento crítico (SILVA, 2013).
É muito difícil para esses educandos desenvolverem habilidades de leitura e escrita. Porém, esse processo será mais fácil se for permitido à criança vivenciar, interagir e experimentar (SOARES, 2007).

2.2 Proposta Educacional para o Aluno com Síndrome de Down


O educador deve propor-se a utilizar um plano de curso que subsidiará o professor na elaboração do seu planejamento em nível de turma, o que só pode ser feito com base no conhecimento da realidade concreta dos seus alunos e dos meios de que dispõe (ALTON, 2007).
As unidades propostas devem estar dentro de uma sequência evolutiva, os objetivos integrados de cada unidade, assim como as atividades sugeridas, não estão dispostas em sequência cronológica (ALTON, 2007).
Cada atividade sugerida leva à consecução de vários objetivos dos domínios afetivos, cognitivos e psicomotor. Uma proposta curricular não pode especificar todos os possíveis resultados de cada atividade sugerida. Cabe ao educador explorar, no trabalho com o aluno, as possibilidades máximas de cada experiência de aprendizagem (SOARES, 2007).
Para a consecução do objetivo proposto, poderá ser desenvolvido um numero ilimitado de atividades. Foram propostas apenas algumas, que devem sugerir ao professor várias outras possibilidades. Em última análise, a sensibilidade e as experiências do educador deverão orientá-lo na determinação da estratégia a ser adotada. Cabe a ele adequar as propostas deste documento à realidade de sua sala de aula, de forma a proporcionar ao aluno experiências de aprendizagem significativa que lhe oportunize a prática dos comportamentos implicados nos objetivos (SOARES, 2007).
A proposta curricular deve ser desenvolvida em quatro etapas que se desdobram em objetivos integradores (ALTON, 2007).
Segundo Alton (2007), a primeira etapa trata como objetivo principal o corpo; na segunda visamos trabalhar "como me expresso"; na terceira "minhas coisas"; e na quarta "meu mundo".
Na primeira etapa, onde trabalhamos o corpo, os objetivos principais devem ser (ALTON, 2007):
·      Identificar diferentes movimentos do seu corpo, posicionando-se no espaço;
·      Identificar as diferentes partes do seu corpo e suas funções correspondentes;
·      Orientar-se no tempo e no espaço;
·      Desenvolver hábitos de vida em grupo.
Segundo Alton (2007), na segunda etapa, onde trabalhamos a expressão, os objetivos principais são:
·      Desenvolver a discriminação perceptual que o habilita ao conhecimento e à comparação dos elementos do meio que o cerca;
·      Expressar suas necessidades, seus interesses e sentimentos utilizam diferentes formas de linguagem;
·      Desenvolver funcionalmente seu vocabulário;
·      Formar hábitos e atitudes de relacionamento e comunicação interpessoal.
Na terceira unidade, trabalhamos os objetos e este tem função de integrador, os objetivos desta unidade são (ALTON, 2007):
·      Descobrir propriedades comuns dos objetos;
·      Reconhecer a utilidade das diferentes coisas do mundo;
·      Descobrir que as coisas se transformam;
·      Explorar o potencial dos objetos através de experiências criativas;
·      Evidenciar a aquisições dos conceitos de propriedades e cooperação.
De acordo com Alton (2007), na quarta unidade, quando trabalhamos o mundo, os objetivos principais são:
·      Reconhecer que seu mundo é dinâmico e diversificado;
·      Distinguir uma situação real de uma imaginaria;
·      Situar-se como pessoa, num mundo de pessoas;
·      Passar do egocentrismo à aceitação de referenciais externos;
·      Ampliar perspectivas espaço-temporais;
·      Situar o mundo de pessoas numa área geográfica determinada;
·      Identificar produções econômicas e culturais de sua comunidade;
·      Reconhecer que o trabalho do homem modifica o meio;
·      Preservar o ambiente e o equilíbrio entre seus diversos elementos;
·      Reconhecer a importância da vida em grupo;
·      Representar seu mundo criativamente.
Para a implementação desta proposta curricular, visando a eficiência do trabalho que levará à conquista dos objetivos perseguidos, torna-se necessário que os recursos estejam disponíveis e o educador seja capacitado. Além disso, o ambiente deve ser capacitado a instalar uma classe especial (ALTON, 2007).
O educador deve também integrar o aluno com Síndrome de Down na comunidade e trabalhar sua aceitação social e até mesmo a absorção em um mercado de trabalho (ALVES, 2007).

2.2.1 Fatores que Facilitam o Aprendizado


De acordo com Soares (2007), o que pode facilitar o aprendizado da criança com Síndrome de Down é o forte reconhecimento visual e habilidade visual de aprendizado, incluindo:
·      Habilidade de aprender e usar sinais, gestos e apoio visual;
·      Habilidade para aprender e usar a palavra escrita;
·      Imitação de comportamento e atitudes dos colegas e adultos;
·      Aprendizado com currículo prático e material e com atividades de manipulação.

2.2.2 Fatores que Inibem o Aprendizado


Segundo Soares (2007), os fatores que podem inibir o aprendizado da criança com Síndrome de Down são:
·      Desenvolvimento tardio de habilidades motoras, tanto fina quanto grossa;
·      Dificuldades de audição e visão;
·      Dificuldade no discurso e na linguagem;
·      Déficit de memória auditiva recente;
·      Capacidade de concentração mais curta;
·      Dificuldade com a consolidação e retenção de conteúdo;
·      Dificuldade com generalizações, pensamento abstrato e raciocínio;
·      Dificuldade em seguir sequências.

2.3 Inclusão Social


Segundo Alton (2007), o objetivo primordial para qualquer criança de 5 anos entrar na escola é a inclusão social. Como com qualquer criança, é muito mais difícil progredir nas áreas cognitivas até que ela seja capaz de se comportar e interagir com os outros de maneira socialmente aceitável e entender e responder apropriadamente ao ambiente que a cerca. Todas as crianças com Síndrome de Down se beneficiam em se misturar com colegas com desenvolvimento típico. Muitas vezes eles ficam felizes em agir como os colegas e geralmente os usam como modelos para o comportamento social apropriado e motivação para aprender. Este tipo de experiência social, quando existe a expectativa de que as outras crianças se comportem e consigam fazer coisas de acordo com sua faixa etária, é extremamente importante para as crianças com Síndrome de Down, que geralmente tem um mundo mais confuso e menos maduro social e emocionalmente. Mesmo assim, muitas delas precisam de ajuda adicional e apoio para aprender as regras para o comportamento social apropriado. Elas não aprendem facilmente de forma incidental e não pegam as convenções intuitivamente como seus colegas. Elas vão levar mais tempo do que seus colegas para aprender as regras. O foco principal da ajuda adicional nos primeiros anos deve ser aprender as regras do comportamento social adequado. Com esse objetivo, Alton propõe as seguintes estratégias:
·      Reconhecer as principais rotinas do dia.
·      Aprender a participar e responder apropriadamente.
·      Responder a perguntas e instruções dadas oralmente.
·      Aprender a respeitar a vez de cada um, dividir, dar e receber. 
·      Aprender a fazer fila.
·      Aprender a sentar no chão na hora da rodinha.
·      Aprender comportamentos apropriados.
·      Aprender as regras da escola e da classe, tanto as formais quanto as informais.
·      Trabalhar independentemente.
·      Trabalhar em cooperação com os outros.
·      Fazer e manter amizades.
·      Desenvolver de habilidades de autoajuda e tarefas práticas.
·      Tomar conta, se preocupar com os outros.

2.4 Apoio


Segundo Gundersen (2006), a maior parte dos alunos com Síndrome de Down vai precisar de apoio adicional. Porém, o tipo de apoio que a criança recebe pode ter um enorme impacto na efetivação da inclusão.
De acordo com Gundersen (2006), a seguir, são apresentadas algumas atitudes que são esperadas do profissional de apoio.
No que diz respeito à criança:
·      Aumentar o acesso ao currículo e ao desenvolvimento do aprendizado.
·      Garantir que a criança aprenda novas habilidades.
·      Ajudar a desenvolver a independência.
·      Ajudar a desenvolver habilidades sociais, amizades e comportamento apropriado para a idade.
No que diz respeito ao professor:
·      Ajudar a modificar ou adaptar tarefas planejadas pelo professor.
·      Dar informações mais detalhadas sobre o desempenho do aluno ao professor.
·      Dar oportunidade ao professor de trabalhar individualmente com uma criança com Síndrome de Down ou em grupo enquanto assume o lugar do professor.
Também é muito importante que o professor de apoio seja visto como pertencendo a toda classe, dando ajuda a todas as crianças que necessitarem, e não como propriedade da criança com Síndrome de Down. Desta maneira, outras crianças da classe se beneficiam com o apoio extra. O professor nunca deve abdicar de sua responsabilidade pela criança com Síndrome de Down (SOARES, 2007).

METODOLOGIA
Como metodologia, procurou-se chegar a um levantamento de informação sobre o tema interligando uma pesquisa com características de uma abordagem qualitativa, exploratória e bibliográfica.
Segundo Gil (2001), é qualitativa por buscar informações sobre o objeto de estudo que neste caso é a Síndrome de Down. Exploratória por envolver levantamento bibliográfico, experiência prática e análises que estimulam a compreensão, e Bibliográfica por utilizar fontes de bibliografia já publicadas como (livros, revistas, artigos, teses, etc.).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A educação especial é decisiva no processo de estimulação inicial e cabe ao educador de classes especiais trabalhar seus educandos, levando-os a desenvolverem suas capacidades para práticas das atividades diárias, a participarem das atividades em família, a desenvolverem seu direito de cidadania e até mesmo a uma atividade profissional. Para tanto, são necessários profissionais especializados e cuidados especiais, com o intuito de facilitar e permitir um maior rendimento e desenvolvimento educacional das crianças com Síndrome de Down.
Dessa forma, a relevância da estimulação vem da grande necessidade que a criança tem de vivenciar experiências que possibilitarão seu desenvolvimento, respeitando suas deficiências e explorando suas habilidades.
Neste sentido, esse estudo proporciona aos familiares ampliar suas possibilidades de observação e intervenção, visando aprimorar a aprendizagem de seus filhos, que são crianças especiais, que possuem dificuldades como qualquer outra criança, e que também são capazes de vencer suas dificuldades e se desenvolverem de forma satisfatória.
No entanto, a educação brasileira caminha de modo lento. Já se observa a relevância de se educar e dar a efetiva oportunidade às crianças com deficiência, e já se sabe que elas têm as mesmas necessidades básicas, tanto no aspecto de sobrevivência, como no de estima. Porém, consequentemente, a pessoa com deficiência vive em constante ajustamento, tendo sua vida pautada por uma contínua busca de aprender, almejando, como todo indivíduo, fazer algo que lhe promova a sensação de realização.
A pessoa com deficiência tem o mesmo valor como indivíduo e certa capacidade de auto realização que lhe permite alcançar o limite máximo de seu potencial. É preciso que o mesmo seja visto como um indivíduo cujo comportamento é afetado tanto por suas próprias forças quanto por forças externas.
Assim sendo, os profissionais da educação envolvidos com o processo de inclusão, precisam desenvolver propostas que abranjam o processo inclusivo em todos os aspectos, vendo a si próprios e se engajando para uma nova perspectiva, nascendo assim, uma consciência de cidadania.
Aceitar a inclusão é, antes de mais nada, aceitar que vivemos em uma sociedade onde as diferenças são reais e precisam ser respeitadas.
A inclusão só deixará de ser um sonho, quando todos os indivíduos com algum tipo de deficiência tiverem de fato as mesmas oportunidades, seja na educação ou no trabalho, em todas as áreas em que a sociedade nos permite estar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALTON, S. Incluindo Alunos com Síndrome de Down no Ensino Fundamental. In: Down’s Syndrome Association. Tradução de Patrícia Almeida. Inglaterra: Ministério da Educação Britânico, 2007.
ALVES, F. Para entender Síndrome de Down. Rio de Janeiro: WAK, 2007.
AUGUSTO, M. I. C. As possibilidades de estimulação de portadores da síndrome de Down em musicoterapia. Disponível em: <http://www.fw2.com.br/ clientes/artesdecura/revista/musicoterapia/artigo_Ines.pdf>. Acesso em 17 nov. 2012.
BISSOTO, M. L. O desenvolvimento cognitivo e o processo de aprendizagem do portador de Síndrome de Down: revendo concepções e perspectivas educacionais. Disponível em: <www.cienciasecognicao.org>. Acesso em 06 mar. 2013.
COSTA, C. L. M. S. Benefícios da estimulação precoce com o uso da música na Síndrome de Down. Monografia (Especialista em Metodologias Inovadoras Aplicadas à Educação na especificidade de Educação Especial e Inclusão). Faculdade Internacional de Curitiba – FACINTER. Curitiba-PR, 2010.
CUNNINGHAM, C. Síndrome de Down – uma introdução para pais e cuidadores. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
DAMACESNO, L. G. Natação, psicomotricidade e desenvolvimento. Campinas: Editora Autores Associados, 1997.
DIAS, C. Construindo o caminho – Um desafio aos limites da Síndrome de Down. São Paulo: Augustus, 2000.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.
GUNDERSEN, K. S. Criança e Síndrome de Down: Guia para pais e professores. Porto Alegre: Artmed, 2006.
LEFÉVRE, B. H. Mongolismo - Orientação para Famílias. São Paulo: Almed, 1985.
PIAGET, J. A Psicologia da criança. São Paulo/Rio de Janeiro: DIFEL, 1980.
SCHWARTZAN, J. S. Síndrome de Down. São Paulo: Mackenzie, 2000.
SILVA, R. N. A. A educação especial da criança com Síndrome de Down. Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/spdslx07.htm>. Acesso em 04 mar. 2013.
SIQUEIRA, D. P. Inclusão da Pessoa Portadora de Síndrome de Down através da Educação. Disponível em: <http://www.fiscolex.com.br/doc_1929845_ INCLUSAO_DA_PESSOA_PORTADORA_DE_SINDROME_DE_DOWN_ATRAVES_DA_EDUCACAO.aspx>. Acesso em 04 mar. 2013.
SMITH, D.; WILSON, A. El niño com Síndrome de Down. Buenos Aires: Panamericana, 1996.
SOARES, L. S. D. Síndrome de Down – Exercícios de Alfabetização e de Discalculia. São Paulo: Revinter, 2007.
VOIVODIA, M. A. Inclusão escolar de crianças com Síndrome de Down. São Paulo: Vozes, 2004.
WERNECK, C. Muito prazer, eu existo. Rio de Janeiro: WVA, 1995.


Autora: Edith de Oliveira Silva
             Pedagoga Especialista em Psicopedagogia
             Professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental
             Coordenadora Pedagógica na rede municipal de Vargem Grande Paulista
             Contadora de estórias e grande incentivadora da leitura.

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